Os eleitores da Zâmbia votam nesta quinta-feira (13) para eleger o Presidente e os membros do Parlamento, numas eleições marcadas por acusações de intimidação política, e num clima de dificuldades económicas e elevado custo de vida.
Na corrida presidencial, segundo informou a Lusa, há 14 candidatos, incluindo o actual Presidente, Hakainde Hichilema, do Partido Unidos para o Desenvolvimento Nacional (UPND), que tem como principal opositor o advogado Brian Mundubile, de 55 anos, antigo ministro que surge como figura da coligação Aliança Tonse.
Entre os concorrentes ganhou também algum destaque o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros zambiano Harry Kalaba, do partido Cidadãos.
Hakainde Hichilema, de 64 e apelidado de “HH”, foi eleito em 2021 na sua sexta tentativa, e é considerado o candidato favorito, e se ganhar conquista um segundo mandato no lugar de chefe de Estado deste país africano.
Durante o primeiro mandato, Hichilema conseguiu negociar a reestruturação da dívida externa e relançar a economia do segundo maior país produtor de cobre do continente, mas com fracos resultados ainda.
Na Zâmbia, rica em cobre, cobalto, níquel e manganês, mais de 70% dos cerca de 22 milhões de habitantes vivem com menos de três dólares por dia, segundo o Banco Mundial, fustigados pela inflação, sobretudo devido à subida de preços dos alimentos e pelo desemprego.
Durante uma campanha marcada por confrontos, a oposição quis tirar partido do descontentamento de uma parte da população para tentar conquistar a maioria dos 8,7 milhões de eleitores, quase metade com idade entre os 18 e os 35 anos.
“A aliança da oposição dá energia aos seus comícios e atrai os jovens, as mulheres e os eleitores rurais”, segundo o director de investigação do Centro Africano de Estudos Estratégicos, Joseph Siegle.
Contudo, alguns analistas apontam que a entrada tardia de Brian Mundubile na corrida e a sua ligação ao anterior Executivo podem ser um obstáculo para sair vencedor destas eleições.
Segundo o investigador do Instituto de Estudos de Segurança (ISS, na sigla inglesa), a escolha dos eleitores assentará em decidir se a continuidade com Hichilema é a melhor via “para consolidar as recentes reformas económicas ou a mudança como necessária para responder às pressões económicas imediatas”.
A campanha eleitoral ficou marcada por confrontos violentos entre militantes rivais, uso de gás lacrimogéneo pela polícia e queixas da oposição sobre restrições à liberdade de realizar reuniões.
Para além do resultado, esta votação coloca à prova a reputação da Zâmbia de ser uma das democracias mais estáveis da África Austral, numa altura em que os detractores de Hichilema e as organizações de direitos humanos o acusam de ter reduzido o espaço político, algo que o seu Governo nega.
“Na corrida presidencial há 14 candidatos, incluindo o actual Presidente, Hakainde Hichilema, do Partido Unidos para o Desenvolvimento Nacional (UPND), que tem como principal opositor o advogado Brian Mundubile, de 55 anos, antigo ministro que surge como figura da coligação Aliança Tonse”
Paralelamente às presidenciais, os zambianos vão eleger os deputados para a Assembleia Nacional, cujo número de círculos eleitorais aumentou de 156 para 226. Os resultados das eleições deverão ser anunciados a17 de Agosto. Caso nenhum candidato obtenha mais de 50% dos votos expressos, será realizada uma segunda volta entre os dois candidatos mais votados.
Sem acesso directo ao mar, este país da África Austral, que se tornou independente em 1964, partilha uma longa fronteira com Moçambique, dependendo dos corredores de transporte e portos moçambicanos para escoar as suas mercadorias.
A economia zambiana continua fortemente dependente do cobre, que representa cerca de 70% das receitas de exportação nacionais.
A meta do Governo zambiano de triplicar a sua produção atraiu grandes investidores internacionais, mas reforçou também a influência da China, o seu maior credor bilateral, com cerca de 4,5 mil milhões de dólares em dívida.



























































