As Reservas Internacionais Líquidas (RIL) de Moçambique diminuíram 1,1% em Junho, face ao mês anterior, para 3 mil milhões de euros, segundo dados do Banco de Moçambique (BdM).
A redução interrompe a ligeira recuperação registada em Maio, quando as reservas aumentaram para 3 mil milhões de euros, depois de dois meses consecutivos de queda.
De acordo com o mais recente relatório estatístico do banco central, consultado esta segunda-feira (10), as reservas internacionais líquidas (RIL) vinham a aumentar mensalmente desde Setembro de 2025 e atingiram, em Fevereiro deste ano, um máximo histórico de 3,7 mil milhões de euros. A trajectória inverteu-se em Março, quando as reservas diminuíram 18%, para cerca de 3 mil milhões de euros, na sequência da utilização de parte destes recursos para o pagamento antecipado da dívida de Moçambique ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Em Abril, as reservas voltaram a recuar, quase 1%, para cerca de 3 mil milhões de euros, antes da recuperação registada em Maio. O Ministério das Finanças confirmou anteriormente que, a 23 de Março, procedeu à amortização integral e antecipada de 630 milhões de euros de financiamentos contraídos junto do FMI, no âmbito do Fundo para a Redução da Pobreza e o Crescimento (PRGT).
O pagamento foi efectuado com recurso às reservas internacionais do País. Apesar da redução registada depois de Fevereiro, o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, afirmou, em Maio, que a operação não enfraqueceu a posição financeira do banco central, defendendo que o País continua a dispor de um nível confortável de reservas.
“Continuamos com um nível de reservas extremamente confortável. Está hoje praticamente a cinco meses de importações, o que é bem alto”, afirmou na ocasião.
Zandamela acrescentou que o pagamento antecipado ao FMI não tornou o Banco de Moçambique “mais fraco, débil e vulnerável”, considerando que a decisão permitiu reduzir determinados riscos. O Presidente da República, Daniel Chapo, também classificou como “corajosa” a decisão de liquidar antecipadamente a dívida ao FMI, considerando-a um sinal de responsabilidade macroeconómica e de reforço da estabilidade financeira do País.
As reservas internacionais são constituídas essencialmente por activos em moeda estrangeira detidos pelo banco central e desempenham um papel fundamental na capacidade do País para financiar importações de bens e serviços e responder a choques externos.
Apesar do volume das reservas, o sector privado tem vindo a alertar para dificuldades no acesso a moeda estrangeira no sistema bancário. O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, chegou a classificar a escassez de divisas como uma “emergência económica”, alertando para os impactos sobre a importação de matérias-primas e o cumprimento de contratos pelas empresas.




























































