As receitas da Sociedade Moçambicana de Medicamentos (SMM) caíram 35,5% em 2025, passando de 340,7 milhões de meticais no ano anterior para 219,8 milhões de meticais, num exercício em que o grupo terminou com prejuízos depois de ter registado lucros expressivos em 2024.
Os dados constam das demonstrações financeiras da empresa referentes ao exercício findo em Dezembro de 2025, consultadas esta segunda-feira (10) pelo Diário Económico. As contas foram auditadas pela Forvis Mazars, que emitiu uma opinião sem reservas sobre as demonstrações financeiras apresentadas pela companhia.
De acordo com o relatório, o resultado líquido consolidado passou de um lucro de 639,9 milhões de meticais em 2024 para um prejuízo de 74,6 milhões de meticais em 2025. A deterioração ocorreu num contexto de redução das vendas e de ausência dos ganhos extraordinários que tiveram um peso determinante nos resultados do exercício anterior.
Em 2024, o grupo tinha contabilizado 667,4 milhões de meticais em resultados extraordinários, essencialmente associados à valorização da participação financeira da SMM na Indústria Farmacêutica de Moçambique. Em 2025, esta componente deixou de contribuir para as contas, expondo de forma mais directa o desempenho das operações correntes do grupo.
A actividade operacional também permaneceu pressionada. O grupo registou um resultado operacional negativo de 65,8 milhões de meticais, contra um resultado igualmente negativo de 30,7 milhões de meticais em 2024. Já os resultados financeiros foram negativos em 8,8 milhões de meticais, reflectindo sobretudo gastos com juros, serviços bancários e diferenças cambiais.
A quebra das receitas foi acompanhada por uma redução dos custos dos inventários vendidos ou consumidos, que passaram de 240,5 milhões de meticais em 2024 para 116,6 milhões em 2025. Em contrapartida, os custos com pessoal subiram de 33,6 milhões para 35,5 milhões de meticais, enquanto os fornecimentos e serviços de terceiros aumentaram de 28,2 milhões para 44,2 milhões de meticais.
No balanço, os activos consolidados da SMM atingiram 2,3 mil milhões de meticais no final de 2025, acima dos 2,29 mil milhões registados no exercício anterior. O capital próprio, contudo, recuou de 1,4 mil milhões para 1,2 mil milhões de meticais, ao mesmo tempo que os passivos totais aumentaram para cerca de 1,08 mil milhões de meticais.
O endividamento também ganhou peso nas contas. Os empréstimos obtidos pelo grupo totalizavam cerca de 358,3 milhões de meticais no final do exercício, dos quais 284,5 milhões estavam associados a financiamentos de médio e longo prazo.
Apesar da deterioração dos resultados consolidados, a SMM, enquanto empresa individual, apresentou um lucro líquido de 10,1 milhões de meticais em 2025. Trata-se, porém, de uma redução acentuada face aos 674,7 milhões de meticais registados em 2024, período igualmente influenciado pelos resultados extraordinários.
A empresa, detida a 100% pelo Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), desenvolve actividades de produção, embalagem e comercialização de medicamentos e dispositivos médicos e detém uma participação de 49% na Indústria Farmacêutica de Moçambique. Em Setembro de 2025, assinou ainda com o Ministério da Saúde um contrato de fornecimento de etanol, com a duração de um ano.



























































