A empresa holandesa Great Bubble Barrier desenvolveu uma tecnologia para combater a poluição plástica nos rios ao interceptar cerca de 86% dos resíduos flutuantes antes que alcancem os oceanos. O sistema utiliza uma cortina de bolhas de ar para conduzir o plástico até um ponto de recolha na margem, sem impedir a passagem de peixes nem interferir com a navegação.
A solução consiste na instalação de um tubo perfurado no leito do rio, ligado a uma bomba de ar. À medida que o ar é libertado, forma-se uma barreira ascendente de bolhas, posicionada na diagonal em relação à corrente, que direcciona naturalmente os resíduos para um sistema de recolha.
De acordo com a empresa, a eficácia da tecnologia foi validada por universidades e institutos de investigação independentes, que confirmaram uma taxa de captura de aproximadamente 86% do plástico presente à superfície da água. Actualmente, o sistema encontra-se em funcionamento em Amesterdão, Katwijk e Harlingen, nos Países Baixos, bem como nas proximidades de Vila do Conde, em Portugal. Novas instalações estão a ser negociadas em vários países da Europa e nos Estados Unidos da América.
Segundo Anne Marieke Eveleens, directora de desenvolvimento de negócios da Great Bubble Barrier, interceptar o plástico ainda nos rios é uma estratégia mais eficaz do que recolhê-lo no oceano, onde os resíduos já se encontram dispersos. A responsável alerta ainda que a produção mundial de plástico continua a aumentar e poderá triplicar até 2030, agravando o problema da poluição.
A próxima etapa da iniciativa passa pela expansão da tecnologia para o Sudeste Asiático, região que concentra alguns dos rios mais poluídos do mundo. No entanto, a implementação depende da obtenção das necessárias licenças ambientais, da existência de sistemas eficientes de gestão de resíduos e da colaboração entre as autoridades locais e as comunidades.
Além da remoção de resíduos, o sistema recolhe dados sobre os tipos de plástico encontrados, a sua origem e frequência, permitindo às autoridades desenvolver políticas públicas mais eficazes para prevenir a poluição na origem.
De acordo com o site Ciclo Vivo, o reconhecimento internacional da iniciativa foi reforçado após a Great Bubble Barrier conquistar o Prémio Earthshot, criado pelo Príncipe William para distinguir soluções inovadoras de protecção ambiental, impulsionando a expansão da tecnologia para novos mercados.




























































