A Procuradoria-Geral da República (PGR) alertou que o crime organizado está a adaptar-se rapidamente às mudanças legislativas, recorrendo à tecnologia e a estruturas corporativas complexas para contornar os mecanismos de controlo. A instituição defende a continuidade das reformas que permitiram a retirada de Moçambique da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI).
“Os grupos criminosos adaptam-se rapidamente às mudanças legislativas, utilizam a inovação tecnológica, recorrem a estruturas corporativas complexas e estão constantemente à procura de novas formas de contornar os mecanismos de controlo”, afirmou Taibo Mucobora, procurador-geral adjunto.
A declaração foi feita em Maputo, na abertura de um seminário sobre estratégias de combate ao branqueamento de capitais, ao financiamento do terrorismo e à proliferação de armas de destruição maciça, organizado pelo Gabinete Central de Combate ao Crime Organizado e Transnacional (GCCCOT).
Taibo Mucobora defendeu que Moçambique deve manter o cumprimento das recomendações do Grupo de Acção Financeira (GAFI), que permitiram a retirada do País da lista cinzenta internacional. Segundo afirmou, estas medidas não devem ser vistas apenas como uma exigência externa, mas como um instrumento de protecção da economia e de reforço das instituições.
O procurador-geral adjunto acrescentou que um sistema eficaz de prevenção e combate ao branqueamento de capitais protege a integridade do sistema financeiro, dificulta a infiltração do crime organizado na economia, reforça a confiança internacional e cria melhores condições para o investimento e o desenvolvimento sustentável.
Moçambique foi retirado da lista cinzenta do GAFI em 24 de Outubro de 2025, depois de três anos de permanência. Apesar deste avanço, as autoridades defendem a continuidade das reformas para evitar novos riscos para o sistema financeiro.
Para a Procuradoria-Geral da República (PGR), o combate ao crime organizado exige cooperação, coordenação, confiança institucional e partilha atempada de informação entre as entidades do Estado. Taibo Mucobora sublinhou que esta luta não começa apenas com detenções nem termina nos tribunais.
“Seguir o rasto do dinheiro continua a ser uma das estratégias mais eficazes para desmantelar redes criminosas, recuperar activos, proteger a economia legítima e demonstrar que o crime não compensa”, afirmou.
O procurador-geral adjunto reconheceu ainda que o crime organizado transnacional se tornou “extraordinariamente sofisticado”, deixando de actuar apenas através de actividades ilícitas tradicionais. Segundo explicou, estes grupos recorrem a empresas aparentemente legítimas, activos virtuais e redes internacionais para ocultar a origem dos seus lucros.
Fonte: Lusa




























































