A dívida pública externa diminuiu 7,5% no primeiro trimestre de 2026, situando-se em 7,6 mil milhões de euros no final de Março, contra 8,2 mil milhões de euros registados no encerramento de 2025.
De acordo com a Lusa, a redução, equivalente a cerca de 615 milhões de euros, resultou sobretudo do pagamento antecipado de uma obrigação ao Fundo Monetário Internacional (FMI), do serviço regular da dívida e da política de recurso a financiamentos em condições altamente concessionais.
Segundo o Boletim Trimestral da Dívida Pública, divulgado pelo Ministério das Finanças, a operação realizada pelo Banco de Moçambique implicou a transferência de uma obrigação perante o Fundo Monetário Internacional (FMI) da componente externa para a dívida interna. O Ministério esclarece que esta reclassificação reduziu o valor da dívida externa, sem afectar o montante global da dívida pública, uma vez que o passivo passou apenas a integrar a componente interna.
Em sentido contrário, a dívida interna do Governo central aumentou 12%, passando de 6,3 mil milhões de euros, no final de 2025, para 7,1 mil milhões de euros em Março deste ano. Esta evolução foi influenciada pelo adiantamento do Banco de Moçambique ao FMI, no valor de 590 milhões de euros, e pela contratação de nova dívida junto do banco central, no montante de 152 milhões de euros.
Com esta evolução, a dívida pública e garantida do sector público aumentou para cerca de 15,2 mil milhões de euros, o equivalente a 75,2% do Produto Interno Bruto (PIB), mais 108 milhões de euros do que no final de 2025.
O boletim aponta igualmente para um forte aumento do serviço da dívida externa no primeiro trimestre. Os pagamentos ascenderam a 669 milhões de euros, face aos 101 milhões de euros registados no quarto trimestre de 2025, um acréscimo de cerca de 568 milhões de euros.
De acordo com o Ministério das Finanças, este aumento ficou a dever-se sobretudo ao reembolso extraordinário ao FMI, que motivou a reclassificação da obrigação de dívida externa para dívida interna. Do total pago no primeiro trimestre, cerca de 628 milhões de euros corresponderam à amortização de capital e 41 milhões de euros ao pagamento de juros. As amortizações ao FMI representaram aproximadamente 607 milhões de euros.
No final de Março, os credores multilaterais continuavam a concentrar a maior parcela da dívida externa de Moçambique, com 52% do total. Os credores bilaterais representavam 38%, enquanto a obrigação soberana MOZAM 2032 correspondia a 10,1% da carteira externa.
Em Maio, a ministra das Finanças, Carla Loveira, afirmou que a amortização integral e antecipada da dívida ao FMI, avaliada em 602 milhões de euros, demonstrava a capacidade do Estado para gerir de forma prudente os seus compromissos externos.
“Ao liquidar esta obrigação antes do prazo, o Estado moçambicano demonstra capacidade de gestão prudente dos seus compromissos externos, reforçando a sua reputação como parceiro credível no sistema financeiro internacional”, declarou a governante no Parlamento.



























































