O governador do Banco da Reserva da África do Sul (SARB), Lesetja Kganyago, defendeu que o país precisa de abandonar o receio de assumir riscos e concentrar-se no crescimento económico, em vez de prolongar debates sobre o modelo de desenvolvimento desejado, informou, nesta quarta-feira, 5 de Agosto, a Bloomberg.
Durante uma palestra pública realizada na Universidade da África do Sul, em Pretória, nesta terça-feira, o governador do Banco de Reserva da África do Sul, Lesetja Kganyago, afirmou que os sul-africanos são avessos ao risco quando se trata da economia.
“Os sul-africanos gostam de apostar, mas, quando se trata de crescimento económico, revelam-se avessos ao risco. Estaríamos muito melhor se deixássemos de apostar no desporto e começássemos a apostar no crescimento”, disse.
Kganyago reconheceu os progressos alcançados através da Operação Vulindlela, iniciativa do Gabinete do Presidente Cyril Ramaphosa destinada a remover entraves estruturais em áreas como a energia, os portos e a governação municipal. Ainda assim, considerou que os avanços têm sido lentos.
Segundo o governador, parte dessa demora resulta dos danos institucionais provocados durante a presidência de Jacob Zuma, período em que instituições públicas foram sistematicamente utilizadas para servir interesses privados.
“Isso devastou a capacidade do Governo central, praticamente destruiu as empresas públicas e continua a reflectir-se nas falhas dos municípios que vemos actualmente”, afirmou.
Kganyago defendeu que outro dos principais entraves ao crescimento é o excessivo debate sobre o modelo de desenvolvimento, em vez da adopção de políticas que permitam expandir efectivamente a economia.
Há mais de uma década que a economia da África do Sul cresce, em média, menos de 1% ao ano. “O principal desafio que devemos colocar a nós próprios, enquanto país, é saber se realmente queremos crescer. Parece uma resposta óbvia, mas não é”, afirmou.
O governador criticou ainda a tendência para qualificar constantemente o crescimento económico. “Falamos em crescimento com criação de emprego, crescimento favorável aos mais pobres, crescimento centrado no desenvolvimento ou crescimento inclusivo. Não precisamos de crescimento com adjectivos. Precisamos simplesmente de crescer”, defendeu.
Kganyago concluiu que a África do Sul terá de aceitar que o crescimento económico implica assumir riscos. “O crescimento significa experimentar soluções que envolvem riscos. Isso nem sempre é confortável, sobretudo para quem já detém poder e riqueza”, concluiu.




























































