O Standard Bank Moçambique revelou que as mulheres ocupam actualmente mais de quatro em cada dez posições de gestão na instituição, resultado que, segundo o banco, reflecte a criação de oportunidades concretas para a liderança feminina e uma participação crescente das mulheres nos processos de decisão.
A informação foi avançada esta quarta-feira (5), em Maputo, por Alice Parsotamo, representante do Standard Bank Moçambique, durante a 4.ª edição da Conferência Mulheres na Economia, promovida pela Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC). “Olhando para o Standard Bank, mais de quatro em cada dez posições de gestão são hoje ocupadas por mulheres”, afirmou Alice Parsotamo, destacando que esta presença se traduz em responsabilidades efectivas dentro da instituição.
“Para nós, significa que as mulheres têm oportunidades reais e cada vez mais. Significa que temos mulheres a liderar equipas, a responder por resultados, a gerir recursos, a influenciar decisões em diferentes áreas do banco e a puxar por mais mulheres”, explicou.
A responsável indicou igualmente que o Standard Bank tem investido em programas de formação e desenvolvimento dirigidos às mulheres, através da sua incubadora de negócios e de outras iniciativas nas áreas da literacia financeira, liderança, capacitação empresarial e promoção da visibilidade de mulheres líderes. “Procuramos ampliar a capacidade de decidir, empreender, crescer e abrir caminho para as mulheres”, declarou. Alice Parsotamo defendeu, contudo, que a presença feminina em cargos de gestão deve ser acompanhada por uma preparação mais ampla das raparigas e jovens mulheres para as mudanças que deverão marcar o mercado de trabalho nos próximos anos.
Segundo a responsável, o gás natural, a energia, as infra-estruturas e a transformação digital poderão criar novas profissões, empresas e cadeias de valor, exigindo competências que ainda não estão suficientemente desenvolvidas no País. “A economia em que hoje trabalhamos não será a mesma em que a próxima geração irá competir”, alertou.
A representante do Standard Bank referiu que as transformações tecnológicas, incluindo o avanço da inteligência artificial generativa, deverão alterar várias tarefas e profissões actualmente existentes, tornando necessária uma maior aproximação entre a formação e as necessidades reais da economia. Citando dados da Organização Internacional do Trabalho, Alice Parsotamo afirmou que as ocupações predominantemente femininas apresentam uma exposição de 29% à inteligência artificial generativa, contra 16% nas restantes ocupações.
“Procuramos ampliar a capacidade de decidir, empreender, crescer e abrir caminho para as mulheres”
Alice Parsotamo – representante do Standard Bank
Na sua perspectiva, estes números reforçam a necessidade de antecipar as mudanças e garantir que mais mulheres estejam preparadas para entrar, permanecer, crescer e participar nas decisões dos sectores que irão determinar o futuro económico do País. Alice Parsotamo considerou ainda que o desenvolvimento efectivo de Moçambique dependerá de uma actuação coordenada entre instituições públicas, empresas, academia, sociedade civil e outras entidades, de modo a transformar os debates sobre a inclusão das mulheres em propostas e decisões concretas.
A responsável recorreu ao exemplo de uma jovem que poderá hoje estar numa sala de aulas em Pemba, Mocuba ou Xibuto e, no futuro, assumir a direcção de uma unidade técnica ligada a um projecto de energia. “Talvez a engenheira que daqui a dez anos dirigirá a unidade técnica num projecto de energia esteja hoje numa sala de aula em Pemba, Mocuba ou Xibuto. Talvez a empresária que fornecerá tecnologia ou serviços a um dos grandes projectos na próxima década esteja agora a testar a sua primeira ideia”, declarou.
Acrescentou que as decisões tomadas no presente deverão criar condições para que a próxima geração de mulheres encontre oportunidades reais de participação, liderança e crescimento em todos os sectores da economia. “Quando o futuro auditar tais propostas e decisões, que encontre mulheres a liderar projectos, empresas com escala e uma nova geração convencida de que nenhum sector da economia lhe estará vedado”, defendeu.
Sobre o evento
A 4.ª edição da Conferência Mulheres na Economia decorre em Maputo, reunindo representantes do Governo, do sector privado, da academia, da sociedade civil e de instituições ligadas à energia, tecnologia e desenvolvimento. O evento contou com painéis que juntaram Emília Nhalevilo, reitora da Universidade Púnguè, Elma dos Santos, especialista em engenharia de reservatórios, Djamila Carvalho, especialista em desenvolvimento internacional e mobilização de recursos, Rudêncio Morais, presidente do Conselho de Administração da ENH, Edna Simbine, gestora de conteúdo local na TotalEnergies, e Shelzia Mucavele, CEO da Rovuma Tech, Lda.
Promovida sob o tema “Formação, Liderança e Conteúdo Local: Potenciar as Mulheres para Aceder, Competir e Liderar nos Sectores Estratégicos da Economia”, a conferência procura aprofundar o debate sobre as condições necessárias para tornar a participação económica das mulheres mais efectiva e duradoura.
Texto: Felisberto Ruco




























































