A consultora Ernst & Young (EY), através da sua sócia Francisca Neves, defendeu que a criação de um Banco de Desenvolvimento de Moçambique (BDM) poderá impulsionar a transformação económica do País, mas alertou que o sucesso da instituição dependerá de uma governação sólida. “A experiência internacional demonstra que os bancos de desenvolvimento podem ser instrumentos muito eficazes, mas apenas quando operam com forte disciplina institucional e foco em resultados”, afirmou a responsável.
Segundo Francisca Neves, a criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique (BDM) representa uma oportunidade para reforçar a capacidade de financiamento da economia nacional e acelerar a transformação estrutural do País. A especialista considera que esta iniciativa surge numa fase em que Moçambique procura reduzir a dependência da ajuda externa e fortalecer as suas fontes internas de financiamento.
Na sua perspectiva, a experiência internacional demonstra que os bancos de desenvolvimento podem desempenhar um papel determinante no crescimento económico, desde que actuem com elevados padrões de governação, transparência, independência técnica e disciplina institucional.
A responsável considera que o BDM poderá colmatar lacunas deixadas pelo sistema bancário comercial, canalizando financiamento para sectores e projectos estratégicos que, devido ao seu perfil de risco ou à sua natureza, nem sempre conseguem aceder ao crédito tradicional.
Entre os principais benefícios apontados pela EY destacam-se o financiamento de projectos estruturantes de longo prazo, o apoio às pequenas e médias empresas (PME), a promoção da industrialização e da diversificação económica, o financiamento de sectores prioritários e a mobilização de recursos concessionais e de mecanismos de financiamento misto.
Segundo a especialista, estes instrumentos poderão reforçar a capacidade produtiva do País, estimular o investimento privado e criar bases mais sólidas para um crescimento económico sustentável e inclusivo. Ainda assim, salienta que os resultados dependerão, sobretudo, da qualidade da gestão e da robustez das instituições.
Francisca Neves defendeu ainda que a criação do BDM deve ser acompanhada pelo reforço dos mecanismos nacionais de coordenação do financiamento ao desenvolvimento, de forma a evitar a dispersão de recursos e a duplicação de iniciativas, factores que, segundo a EY, têm reduzido o impacto de vários programas de apoio ao País.
Neste contexto, defendeu a criação de estruturas capazes de planear, coordenar e monitorizar os diferentes fluxos de financiamento, assegurando o seu alinhamento com as prioridades nacionais de desenvolvimento. O projecto integra a agenda do Governo para reforçar o financiamento da economia, promover a industrialização e apoiar sectores estratégicos, encontrando-se actualmente na fase de definição do modelo institucional, da estrutura de capital e do quadro legal da futura instituição.
Fonte: Agência de Informação de Moçambique (AIM)




























































