O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, admitiu, nesta terça-feira, 4 de Agosto, que um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz poderá ser alcançado até quarta-feira (5), embora Teerão negue estar em negociações directas com Washington.
“Estamos em negociações com os iranianos e penso que há uma possibilidade de chegarmos hoje ou amanhã a um acordo com vista à reabertura do Estreito e à normalização da situação”, afirmou o responsável numa entrevista à CNBC.
Questionado sobre a possibilidade de o Irão vir a cobrar taxas pela utilização do Estreito de Ormuz, Bessent respondeu que acredita que a passagem será assegurada em condições de “liberdade de circulação”.
Apesar deste optimismo, a situação no Estreito de Ormuz continua tensa. Um navio voltou a ser atingido na noite de segunda-feira, enquanto prosseguem as negociações em torno da reabertura desta rota marítima estratégica.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem afirmado que as conversações com o Irão estão a avançar e que o estreito poderá reabrir em breve.
Teerão, porém, nega a existência de negociações com os Estados Unidos, embora admita contactos com Omã.
“Não estamos a negociar com os Estados Unidos neste momento. Estamos a negociar com Omã para garantir a passagem pelo Estreito de Ormuz”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghai, durante a conferência de imprensa semanal.
Na segunda-feira, o chefe de Estado norte-americano desmentiu a República Islâmica e disse que as negociações estavam a decorrer.
Scott Bessent mostrou-se optimista quanto aos efeitos que um acordo com o Irão teria sobre os preços da energia, precisando que centenas de navios aguardavam para poderem retomar a sua rota.
“Embora a situação continue um pouco tensa desde há alguns dias, temos visto bastantes navios a sair do Estreito de Ormuz, mesmo neste momento”, disse. “Espero, portanto, que os preços da energia voltem ao normal, o que, como já disse, será benéfico para o mundo inteiro”, acrescentou.
Trump critica lucros das petrolíferas
Também na segunda-feira, Donald Trump acusou as petrolíferas norte-americanas de estarem a lucrar em excesso com a subida dos preços do petróleo e apelou à redução dos preços dos combustíveis.
“Não gosto disto. Estão a ganhar muito dinheiro. Aproveitando-se da escassez, estão a lucrar demasiado”, afirmou o Presidente norte-americano aos jornalistas na Casa Branca.
Embora se tenha assumido como “um forte defensor da livre iniciativa”, Trump apontou a ExxonMobil e a Chevron como algumas das empresas mais beneficiadas pela guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão, a 28 de Fevereiro, conflito que fez disparar os preços do petróleo.
“Quando se vê que uma empresa multiplicou por 12 o que gerou no ano anterior, deve devolver parte desse lucro ao público”, defendeu, acrescentando que as grandes petrolíferas “têm todos os incentivos para baixar os preços nas bombas de gasolina”.
A ExxonMobil anunciou que o lucro líquido duplicou no segundo trimestre de 2026, para 14,5 mil milhões de dólares, enquanto a Chevron registou 12,1 mil milhões de dólares, cerca de cinco vezes mais do que no mesmo período do ano anterior.
Fonte: Lusa



























































