A Montepuez Ruby Mining (MRM), concessionária da mina de rubis de Montepuez, na província de Cabo Delgado, arrecadou 76,1 milhões de dólares com os leilões realizados até Junho deste ano, mas a empresa continua a enfrentar constrangimentos operacionais devido à baixa recuperação de rubis de qualidade premium, bem como aos elevados níveis de mineração ilegal e contrabando que afectam o mercado.
Os problemas têm limitado a capacidade da MRM de obter melhores preços pelos rubis produzidos em Moçambique, uma vez que pedras provenientes da mineração ilegal são comercializadas a valores mais baixos por não suportarem custos de produção. A situação tem pressionado o desempenho comercial da empresa, apesar das receitas registadas nos leilões realizados no primeiro semestre.
No relatório operacional do primeiro semestre, citado pela Lusa, a Gemfields, grupo que detém a MRM, refere que a mina de Montepuez continua a ser uma das principais fontes de receitas da companhia, através da comercialização internacional dos rubis extraídos naquela exploração.
Os leilões realizados até 30 de Junho geraram 76,1 milhões de dólares, contra 38,9 milhões de dólares no mesmo período de 2025. Contudo, a evolução não reflecte uma recuperação plena da actividade, tendo em conta que a empresa registou uma redução significativa das vendas, passando de 117 milhões de dólares em 2024 para 49,9 milhões de dólares em 2025.
Segundo a empresa, para alcançar receitas próximas dos 70 milhões de dólares este ano, foi necessário prolongar o período de produção, suportando custos operacionais elevados durante mais tempo e adiando a realização de vendas. A MRM estima que os custos operacionais rondem os 5 milhões de dólares por mês.
A actualização operacional indica uma produção acumulada de 30 408 quilates de rubi premium e 168 886 quilates de tumble ruby até 30 de Junho. Ainda assim, a Gemfields reconhece que a recuperação de pedras de elevada qualidade permanece abaixo das expectativas.
Segundo a Gemfields, a MRM “continuou a registar uma fraca recuperação de rubis de qualidade premium”, fixando-se em 0,025 quilates por tonelada no primeiro semestre. A empresa acrescenta que continua a explorar áreas onde espera encontrar maior concentração de rubis de elevada qualidade.
A mineradora refere ainda que a segunda unidade de processamento de minério, entretanto concluída, contribuiu para a produção no primeiro semestre e deverá ser formalmente declarada totalmente operacional ainda este ano. Entretanto, a empresa enfrenta riscos relacionados com ataques insurgentes, actividade criminosa local, mineração ilegal de rubis e dificuldades na aplicação do Estado de Direito na região.
Num comunicado divulgado no final de Junho, a Gemfields confirmou que, desde finais de Abril, grupos insurgentes realizaram vários ataques contra aldeias próximas da mina, levando à suspensão temporária das operações. “Assemelharam-se aos ataques observados noutras partes da província de Cabo Delgado”, afirmou a empresa, acrescentando que a actividade da MRM permanecia abaixo do esperado devido à redução dos teores de rubis recuperados.
A empresa referiu ainda que, apesar dos desafios, “as condições melhoraram moderadamente” e que a actividade regressou a uma situação de relativa normalidade. Em 2025, a produção de rubis em Moçambique aumentou 29%, ultrapassando cinco milhões de quilates, segundo dados da execução orçamental do Ministério dos Recursos Minerais e Energia.


























































