A Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE) registou, em 2025, um aumento de 55,3% nos sinistros, para 16,8 milhões de euros, comparativamente ao ano anterior. A seguradora estatal atribui parte deste agravamento aos efeitos da crise pós-eleitoral e aos fenómenos climáticos, segundo o relatório e contas da instituição.
De acordo com o documento, os encargos com sinistros subiram de 800,7 milhões de meticais (10,8 milhões de euros), em 2024, para 1,3 mil milhões de meticais (16,8 milhões de euros), em 2025. A EMOSE explica que esta evolução resultou, sobretudo, do impacto dos acontecimentos que marcaram o País ao longo do período.
“O comportamento dos sinistros em 2025 foi influenciado, sobretudo, pelo efeito da crise pós-eleitoral e dos fenómenos climáticos”, refere a administração da EMOSE, empresa que alcançou a terceira maior quota de mercado entre as seguradoras a operar em Moçambique no ano passado.
O agravamento dos sinistros afectou o desempenho técnico da seguradora, com o rácio de sinistralidade a aumentar de 31,7% para 38,9% em 2025. No mesmo período, o resultado técnico passou de um saldo positivo de 114,5 milhões de meticais (1,6 milhões de euros), em 2024, para um resultado negativo de 67,8 milhões de meticais (918 mil euros).
Os maiores aumentos da sinistralidade verificaram-se nos ramos de incêndio e elementos da natureza, bem como nos ramos de transportes e responsabilidade civil geral, segundo as contas da empresa.
A administração da EMOSE considera que o exercício de 2025 decorreu num “contexto extremamente complexo da economia moçambicana”, marcado pelos efeitos das tensões pós-eleitorais, pelo aumento dos riscos fiscais, pelas limitações na execução orçamental e pelo elevado peso da dívida pública.
As eleições gerais realizadas a 9 de Outubro de 2024 foram seguidas por cinco meses de contestação ao processo eleitoral, com manifestações, paralisações, destruição e saque de empresas e infra-estruturas públicas, além de confrontos com a polícia que provocaram mais de 400 mortos.
Apesar deste contexto, a EMOSE aumentou 42,8% a emissão de prémios, para 3,4 mil milhões de meticais (46,8 milhões de euros), reforçando a sua quota de mercado de 10% para 13%. A administração afirma que a empresa demonstrou “notável capacidade de adaptação e resiliência”, mantendo o foco na “eficiência operacional e na gestão rigorosa de riscos”.
Constituída em 1977, a seguradora opera nos ramos ‘vida’ e ‘não vida’ e possui um capital social de 295 milhões de meticais (4 milhões de euros), distribuído pelo Estado moçambicano (39%), Instituto de Gestão das Participações do Estado (31%), GETCOOP (20%) e outros accionistas (10%).
Fonte: Lusa




























































