O Fundo de Energia (FUNAE) pretende transferir para um operador privado a gestão da Fábrica de Painéis Solares de Moçambique, inaugurada em 2013 e paralisada desde 2022 devido à perda de competitividade face aos equipamentos importados, nomeadamente da China.
O anúncio foi feito neste sábado, 1 de Agosto, pelo presidente do Conselho de Administração do FUNAE, Mety Gondola, durante uma visita à unidade industrial, localizada no Parque Industrial de Beluluane, no distrito de Boane, província de Maputo.
“Se o privado já começa a dar sinais de que pode assumir essa responsabilidade, gradualmente temos de fazer a transição, para que o nosso papel seja mais de mobilização de recursos, criação de critérios e colocação desses recursos à disposição do sector privado, através de processos transparentes”, afirmou.
Segundo o responsável, a gestão da fábrica “não tem de ser necessariamente feita pelo FUNAE”, considerando que a infra-estrutura poderá operar de forma mais eficiente sob administração privada, mediante um contrato-programa que preserve os objectivos estratégicos definidos pelo Governo.
“Entendemos que será melhor se um privado estiver a operar, dentro de um contrato-programa, naturalmente, e num processo em que nós, enquanto Governo, temos a visão e sabemos qual deve ser a utilidade da fábrica para o País, mas com uma gestão já terceirizada”, acrescentou.
A intenção de concessionar a unidade surge depois de o FUNAE ter lançado, em Novembro de 2025, um concurso público para seleccionar uma empresa nacional ou estrangeira encarregada de explorar e gerir a fábrica, com o objectivo de melhorar a sua eficiência.
Dados divulgados pela instituição em Julho indicam que a paralisação da fábrica representa um custo fixo anual estimado em 18,75 milhões de meticais. A unidade possui capacidade para produzir cerca de 40 painéis por dia, com uma potência máxima de 270 watts-pico e um custo aproximado de 14 mil meticais por painel.
No entanto, o mercado disponibiliza actualmente equipamentos com potências que podem atingir 610 watts-pico por cerca de 15 mil meticais, uma diferença que evidencia a necessidade de modernização tecnológica para que a produção nacional possa competir com os painéis importados.

FUNAE Quer Reforçar Papel de Financiador do Sector
Criado em 1997, o FUNAE é uma instituição pública responsável pelo financiamento e implementação de projectos destinados a ampliar o acesso à energia, sobretudo nas zonas rurais e fora da Rede Eléctrica Nacional. A instituição tem vindo, contudo, a reposicionar-se como mobilizadora de financiamento e facilitadora do investimento privado, reduzindo progressivamente o seu envolvimento directo na operação das infra-estruturas.
Em 2025, o Fundo anunciou que estava a preparar a transferência de 40 mini-redes para operadores privados, mantendo para si as funções de assistência técnica, supervisão e garantia da continuidade e qualidade dos serviços.
No âmbito da reestruturação da fábrica, os trabalhadores foram integrados noutras áreas do FUNAE. Segundo o director da unidade, Edson Mohanjane, cerca de 40 funcionários foram enquadrados após um processo de auscultação e avaliação das respectivas competências.
“Os colegas que estavam aqui foram todos enquadrados dentro de um processo de auscultação e de verificação das suas competências e, nesta altura, encontram-se a trabalhar”, declarou.
Mohanjane acrescentou que os trabalhadores transferidos continuam a exercer funções no FUNAE e têm demonstrado empenho nas novas áreas de colocação.
“Estão a trabalhar com empenho e com a promessa de que vão continuar a trabalhar, e têm demonstrado, de facto, esse compromisso”, concluiu.
Mercado Solar Avaliado em 286 Milhões de Euros
A eventual reactivação da fábrica ocorre num contexto de crescimento das necessidades de electrificação e de expansão do mercado de energias renováveis em Moçambique.
O relatório “Renováveis em Moçambique 2025”, elaborado pela Associação Lusófona de Energias Renováveis e pela Associação Moçambicana de Energias Renováveis, estima em 173 megawatts o potencial do mercado solar para autoconsumo, avaliado em cerca de 286 milhões de euros.
No segmento fora da rede, o potencial identificado ascende a 34 megawatts, representando um mercado estimado em 147 milhões de euros. O País contava ainda com 113 mini-redes, correspondentes a uma capacidade conjunta de 11,7 megawatts.
Em 2025, a capacidade solar fotovoltaica ligada à rede rondava os 58 megawatts, devendo aumentar para mais de 1080 megawatts até 2032. A taxa nacional de electrificação atingiu 66,4%, depois de a EDM ter realizado 436 mil novas ligações à rede e de terem sido registadas outras 122 mil ligações através de soluções fora da rede.
A Fábrica de Painéis Solares de Moçambique foi inaugurada em Abril de 2013, com o objectivo de produzir localmente equipamentos para projectos de electrificação, reduzir a dependência das importações e desenvolver capacidade industrial nacional no sector das energias renováveis.


























































