Os elevados custos do diesel representam uma ameaça real ao crescimento económico em muitos países africanos, não sendo apenas um encargo para os automobilistas.
O elevado preço do diesel continua a pressionar praticamente todos os sectores da economia, uma vez que este é o principal combustível utilizado na indústria transformadora, mineração, agricultura, transporte comercial e produção de energia de reserva.
O aumento dos custos do combustível reflecte-se em toda a cadeia económica. Os agricultores gastam mais na produção, colheita e distribuição das culturas, os fabricantes enfrentam custos de produção mais elevados e as empresas de transporte suportam despesas acrescidas na movimentação de mercadorias. Em muitos casos, estes encargos acabam por ser repercutidos nos consumidores através da subida dos preços de bens essenciais, alimentando a inflação e reduzindo o poder de compra das famílias.
O impacto é ainda mais acentuado nos países onde empresas e instituições dependem de geradores a gasóleo para colmatar as falhas no fornecimento de electricidade. Nestes casos, o aumento do preço do diesel eleva os custos operacionais de fabricantes, comerciantes, hospitais e outros serviços, reduzindo as margens de lucro e travando o investimento.
A vulnerabilidade dos países africanos à volatilidade dos mercados internacionais ficou evidente com as recentes perturbações no sector energético. A restrição temporária das exportações de gasóleo pela Rússia reduziu a oferta mundial, enquanto as tensões no Médio Oriente fizeram subir as margens de refinação e agravaram as preocupações com os custos de transporte. Em conjunto, estes factores aumentaram a pressão sobre os preços do diesel, sobretudo nos países dependentes da importação de produtos petrolíferos refinados.
Apesar do reforço da capacidade de refinação local, os preços do diesel na Nigéria continuam muito acima dos registados há alguns anos, pressionando fabricantes, operadores de transporte e empresas dependentes de equipamentos e geradores movidos a gasóleo. O aumento dos custos de produção e da logística encarece os produtos fabricados localmente, reduzindo a competitividade face às importações e limitando a capacidade de exportação para mercados regionais e internacionais.
Com as novas perturbações no abastecimento mundial, decorrentes do conflito entre os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão, que ameaçam manter os preços do diesel elevados, cresce a pressão sobre os países africanos para expandirem a capacidade de refinação, diversificarem as fontes de energia e reforçarem as cadeias de abastecimento.
Reduzir a dependência de combustíveis importados poderá ajudar a proteger estas economias de futuros choques nos preços, ao mesmo tempo que favorece o crescimento industrial, contém a inflação e reforça a resiliência económica.
Com base nos dados da plataforma Global Petrol Prices, estes são os países africanos com os preços mais elevados do diesel em Julho.

Comparativamente ao mês anterior, quando o preço médio mundial do diesel era de 1,50 dólares por litro, valor que se mantém este mês, a República Centro-Africana e o Ruanda registaram ligeiros aumentos nos preços.
Por outro lado, o Zimbabué, a Serra Leoa e a África do Sul registaram pequenas reduções. Os preços do diesel mantiveram-se inalterados no Maláui e em Moçambique.
As Seicheles, o Quénia e o Uganda passaram a integrar, este mês, a lista dos dez países africanos com o diesel mais caro, substituindo o Botsuana, o Lesoto e a Zâmbia, que figuravam no ranking do mês anterior.
Fonte: Business Insider Africa



























































