Os mercados asiáticos registaram fortes ganhos esta sexta-feira (31), acompanhando a subida de Wall Street, depois de o mercado sul-coreano ter protagonizado uma recuperação recorde, alimentando a expectativa de que a recente queda das acções ligadas à Inteligência Artificial (IA) possa ter chegado ao fim. O iene também esteve em destaque, mantendo-se afastado do mínimo de 40 anos, depois de uma alegada intervenção coordenada de várias autoridades na sessão anterior, enquanto o Banco do Japão (BOJ) manteve as taxas de juro inalteradas esta sexta-feira.
As bolsas asiáticas recuperaram esta sexta-feira, impulsionadas pelos resultados acima das expectativas da Microsoft e da Amazon, enquanto os mercados continuam a avaliar as perspectivas para a política monetária nos Estados Unidos da América (EUA) e no Japão.
O índice sul-coreano KOSPI avançou 17%, recuperando das fortes perdas registadas no início da semana. O japonês Nikkei subiu quase 4% e o índice mais abrangente da MSCI para as acções da Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, ganhou 6%.
A recuperação foi impulsionada pelas fortes valorizações da Microsoft e da Amazon em Wall Street, que animaram as acções dos fabricantes de chips, depois de os resultados e perspectivas das duas tecnológicas terem atenuado as preocupações com o elevado nível de investimento em despesas de capital.
“Tanto os resultados como o sentimento estão a recuperar um pouco depois do movimento realmente exagerado registado no início da semana”, afirmou Fabien Yip, analista de mercados da IG.
Apesar da recuperação, o KOSPI continua a encaminhar-se para uma queda superior a 22% em Julho, o que constituiria a maior perda mensal desde 2008. A forte volatilidade levou as autoridades sul-coreanas a restringir determinados produtos alavancados, após as perdas significativas registadas por investidores particulares.
“A nossa visão é que a correcção reflecte um reajustamento das expectativas depois de uma subida excepcional, e não um enfraquecimento significativo dos fundamentos do investimento”, afirmou Jacky Tang, responsável pelos investimentos em mercados emergentes do Private Bank do Deutsche Bank.
Nos mercados de futuros, os contratos sobre o Nasdaq subiam mais de 1%, enquanto os do S&P 500 avançavam 0,46%. Na Europa, os futuros do EURO STOXX 50 valorizavam 0,8%, enquanto os do FTSE e do DAX ganhavam 0,47% e 0,6%, respectivamente. Na China, o índice CSI AI e o STAR Composite, de Xangai, subiam mais de 5%.
No mercado cambial, o iene desvalorizava cerca de 0,7%, para 160,66 por dólar, depois de o Banco do Japão (BOJ) ter mantido as taxas de juro inalteradas. As atenções centram-se agora na conferência de imprensa do governador Kazuo Ueda, aguardada pelos investidores em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária.
“A revisão em alta do crescimento, juntamente com o reconhecimento dos riscos de subida da inflação e o reconhecimento, pela primeira vez, de que a inflação subjacente poderá ultrapassar o objectivo, torna esta decisão de manter as taxas inalteradas uma manutenção agressiva”, afirmou Junyu Tan, economista para o Norte da Ásia da Coface.
A moeda japonesa continua sob pressão, apesar de uma alegada intervenção das autoridades na sessão anterior, devido ao diferencial entre as taxas de juro do Japão e dos EUA.
Entretanto, as yields das obrigações do Tesouro norte-americano de longo prazo mantiveram-se próximas dos máximos de 19 anos, enquanto as das obrigações de curto prazo recuaram, acentuando a inclinação da curva de rendimentos, numa altura em que aumentam as dúvidas sobre a capacidade da Reserva Federal (Fed) de manter ancoradas as expectativas de inflação.


























































