A taxa de juro de referência para o crédito em Moçambique vai manter-se inalterada em Agosto, nos 15,5%, pelo quarto mês consecutivo, após três cortes anteriores este ano, anunciou, nesta sexta-feira, 31 de Julho, a Associação Moçambicana de Bancos (AMB).
De acordo com uma publicação da Lusa, a decisão acompanha a do Banco de Moçambique (BdM), que esta semana deixou inalterada a taxa de juro de referência MIMO, enquanto a taxa definida pela AMB, conhecida como prime rate, tinha vindo a descer progressivamente desde Janeiro de 2024, após seis meses consecutivos em máximos de 24,1%.
Em Janeiro, a Associação Moçambicana de Bancos (AMB) reduziu a prime rate em 10 pontos base, para 15,7%, mantendo-a inalterada em Fevereiro. Seguiram-se novos cortes de 10 pontos base em Março e Abril, após os quais a taxa permaneceu estável em Maio, Junho, Julho e, agora, em Agosto.
A evolução da prime rate está directamente ligada à taxa de juro de política monetária (MIMO), definida pelo Banco de Moçambique (BdM), que integra a fórmula de cálculo daquela taxa e constitui um dos principais instrumentos de controlo da inflação.
Esta semana, o BdM manteve a taxa MIMO em 9,25%, justificando a decisão com a redução da liquidez em moeda nacional, na sequência do aumento do coeficiente de reservas obrigatórias decidido em Maio, apesar de persistirem riscos e incertezas quanto à evolução da inflação.
“Esta decisão é sustentada pela redução da liquidez em moeda nacional no sistema bancário, decorrente do aumento do coeficiente de reservas obrigatórias em Maio último, não obstante a prevalência de elevados riscos e incertezas associados às projecções de inflação”, afirmou o governador do BdM, Rogério Zandamela.
A decisão foi tomada na reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), realizada na terça-feira (28), em Maputo. Trata-se da quarta reunião consecutiva em que o banco central mantém a taxa MIMO inalterada, depois de ter interrompido, em Março, um ciclo de 12 reduções consecutivas iniciado em Janeiro de 2024.
Nas projecções divulgadas após a reunião, o governador antecipou uma aceleração da inflação no curto prazo, seguida de um regresso a valores de um dígito no médio prazo. Recordou que a inflação homóloga se situou em 7,5% em Junho, depois de 7,2% em Maio.
“No curto prazo, perspectiva-se que os preços continuem a aumentar, reflectindo os efeitos indirectos do aumento dos preços domésticos dos combustíveis líquidos e da inflação importada. Entretanto, no médio prazo, antevê-se uma redução da inflação para um dígito explicada, entre outros factores, pela perspectiva de manutenção da estabilidade cambial e de abrandamento dos preços dos produtos energéticos e dos alimentos”, afirmou.
A taxa MIMO esteve fixada em 17,25% entre Setembro de 2022 e Janeiro de 2024. A partir de então, o BdM iniciou um ciclo de redução dos juros, baixando a taxa para 16,5% em Janeiro de 2024 e prosseguindo com cortes sucessivos ao longo do ano, até atingir 9,25% em Janeiro deste ano. Desde Março, contudo, o banco central optou por manter a taxa inalterada.



























































