O embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, afirmou esta quinta-feira (30), em Maputo, que o País reúne condições para aumentar a produção agro-alimentar, reforçar a soberania alimentar e tornar-se fornecedor dos mercados regionais e mundiais.
O diplomata falava durante o Fórum Agro-Alimentar Moçambique-Portugal, organizado pela Associação dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP), que reuniu decisores políticos, empresários, agricultores, académicos e especialistas dos dois países.
Jorge Monteiro estimou que cerca de 80% da população moçambicana depende da agricultura para a sua subsistência e rendimento. O sector representa aproximadamente 26% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o agro-alimentar corresponde a entre 30% e 35% da economia nacional.
Moçambique cultiva, actualmente, cerca de sete milhões dos 36 milhões de hectares de terra arável disponíveis. Para o embaixador, estes números mostram o peso do sector agro-alimentar e a dimensão das oportunidades existentes. “O País dispõe de condições naturais excepcionais para reforçar não só a sua soberania alimentar, mas também para assumir um papel de crescente relevância no panorama agro-alimentar regional e internacional”, afirmou.
Entre as principais vantagens de Moçambique, Jorge Monteiro apontou as vastas áreas aráveis, os recursos hídricos, a diversidade climática, a população jovem e a localização estratégica.
Estas condições, acrescentou, podem permitir a Moçambique “fortalecer a competitividade do seu sector agro-alimentar e converter-se num fornecedor de mercados regionais e mundiais em forte expansão”.
“O desafio consiste em transformar esse potencial em riqueza, em emprego e em desenvolvimento sustentável”, declarou, defendendo que a cooperação com Portugal pode contribuir para alcançar esse objectivo.

Jorge Monteiro considerou que a experiência portuguesa na modernização da agricultura pode ser útil para Moçambique, sobretudo nas áreas da tecnologia, investigação, gestão da água, qualidade e desenvolvimento das cadeias de valor.
O embaixador apontou o empreendimento do Alqueva como exemplo de uma região anteriormente marcada pela escassez de água que se transformou num dos mais dinâmicos pólos agro-industriais da Europa, atraindo investimento, criando emprego e aumentando as exportações.
“Acredito que esta experiência portuguesa pode ser útil a Moçambique. Mas importa sublinhar que a cooperação que defendemos assenta numa lógica de parceria”, afirmou.
Segundo o diplomata, Portugal pode partilhar técnicas de produção e gestão agrícola, enquanto Moçambique oferece oportunidades para desenvolver soluções ajustadas à sua realidade. O investimento português já está presente em áreas como a produção agrícola, agro-indústria, florestas, mecanização, irrigação, logística e desenvolvimento rural. Na sua opinião, estes investimentos contribuem para aumentar a produção local, promover a transferência de conhecimento, criar emprego e reforçar as cadeias de valor.
Jorge Monteiro identificou igualmente oportunidades na transformação agro-industrial, armazenamento, certificação, serviços tecnológicos e formação profissional. Neste âmbito, destacou a criação de um hub de formação em Moçambique, que classificou como “uma aposta, sem dúvida, vencedora”.
O diplomata alertou que a pandemia, os conflitos internacionais, as perturbações nas cadeias logísticas, a emergência climática e a volatilidade dos mercados voltaram a colocar a segurança alimentar no centro das decisões políticas e económicas.
“Nenhum país pode dar por garantido o acesso estável e sustentável aos alimentos”, afirmou.
Para o embaixador, discutir o futuro do sector agro-alimentar implica abordar não apenas a produção, mas também a resiliência, o desenvolvimento económico, as cadeias de abastecimento, o emprego, a sustentabilidade ambiental e a inclusão social.
Jorge Monteiro considerou ainda que Portugal e Moçambique atravessam um dos melhores momentos das suas relações bilaterais nos últimos 50 anos, marcado por um diálogo político regular e por encontros frequentes entre representantes dos dois governos.
“Temos de saber aproveitar esta oportunidade”, defendeu, apelando a uma maior aproximação entre responsáveis políticos, empresários, investigadores e outros agentes económicos dos dois países.
Sobre a AJAP
A Associação dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP) é uma organização privada sem fins lucrativos, com estatuto de Organização Não Governamental para o Desenvolvimento e reconhecida como pessoa colectiva de utilidade pública. Representa jovens empresários agrícolas portugueses dos 18 aos 40 anos, em Portugal e no estrangeiro.
Com mais de 40 anos de actividade, a AJAP trabalha com entidades públicas e privadas, promove a internacionalização das empresas agrícolas e participa, desde 1983, no Conselho Europeu de Jovens Agricultores. A organização actua também na defesa dos interesses dos jovens agricultores e no desenvolvimento do meio rural.
Texto: Felisberto Ruco

























































