O Governo defendeu esta quinta-feira (30), em Maputo, o reforço da formação prática dos jovens moçambicanos, alertando que muitos estudantes concluem os cursos ligados à agricultura sem experiência suficiente no terreno.
A posição foi apresentada pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, em representação do Presidente da República, Daniel Chapo, durante o Fórum Agro-Alimentar Moçambique-Portugal, organizado pela Associação dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP).
Roberto Albino reconheceu que o País dispõe de jovens com formação técnico-profissional, mas considerou que continua a existir uma distância entre os conhecimentos transmitidos nas instituições de ensino e as exigências da produção agrícola. “O que aprendem na escola é mais teoria do que a parte prática. Há muitos agrónomos que saem da universidade sem nunca terem feito uma lavoura, sem nunca terem feito uma irrigação”, afirmou.
Segundo o ministro, alguns estudantes conhecem os conceitos e acompanham demonstrações através de meios digitais, mas nunca instalaram ou calibraram, por exemplo, um sistema de rega.
Para reduzir essa lacuna, o governante apontou a incubação como uma das formas de proporcionar aos jovens experiência prática num ambiente controlado, antes de avançarem para actividades produtivas ou empresariais. “É aí que a incubação, que é uma forma de pôr num ambiente controlado a experiência prática, que ganha grande relevância”, explicou.
Roberto Albino garantiu o apoio do Governo às iniciativas destinadas a aproximar os jovens do ambiente real de produção e facilitar a transferência de conhecimento. “Nós apoiamos 100% e vamos também colaborar para a materialização deste caminho que aposta na transferência do conhecimento para os nossos jovens”, declarou.
O ministro defendeu que a cooperação com Portugal deve contribuir para formar futuros empreendedores e agro-industriais moçambicanos, através da entrada de tecnologia, conhecimento e investimento. “Queremos que tragam para cá investimentos em tecnologia, investimentos em conhecimento. Que venham para cá as exposições de formação técnico-profissional, para virem formar os nossos jovens, para que eles sejam os futuros empreendedores, os futuros agro-industriais de Moçambique”, afirmou.

Na sua intervenção, Roberto Albino considerou que Moçambique não deve limitar-se a funcionar como mercado para produtos alimentares importados. A prioridade, sustentou, deve ser a atracção de empresas capazes de produzir e transformar localmente. “Que de Portugal venha, de facto, o conhecimento, que venha a tecnologia e venha o investimento”, afirmou.
O governante referiu a produção de arroz e o processamento de óleos entre as áreas em que empresas portuguesas podem instalar-se no País, ajudando a substituir parte das importações actualmente provenientes de outros mercados.
Roberto Albino acrescentou que o potencial de investimento não se restringe ao consumo interno, uma vez que Moçambique pode servir de base produtiva e logística para abastecer outros países da região. “Posso garantir-vos que o mercado de Moçambique é muito mais que o mercado de Moçambique. É o mercado regional”, declarou.
Segundo o ministro, uma plataforma de produção e distribuição estabelecida no País poderá servir um mercado regional estimado em 300 milhões de pessoas. O financiamento foi igualmente apontado como uma condição necessária para transformar a formação e as parcerias em projectos empresariais concretos. Roberto Albino apelou, por isso, à aceleração dos mecanismos destinados a disponibilizar os 15 milhões de euros anunciados por Portugal para apoiar iniciativas de empresas portuguesas em Moçambique.
Para o governante, a cooperação entre os dois países deverá traduzir-se em investimentos concretos, modernização das empresas moçambicanas e parcerias de benefício mútuo entre empresários portugueses e moçambicanos.
Sobre a AJAP
A Associação dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP) é uma organização privada sem fins lucrativos, com estatuto de Organização Não Governamental para o Desenvolvimento e reconhecida como pessoa colectiva de utilidade pública. Representa jovens empresários agrícolas portugueses dos 18 aos 40 anos, em Portugal e no estrangeiro.
Com mais de 40 anos de actividade, a AJAP trabalha com entidades públicas e privadas, promove a internacionalização das empresas agrícolas e participa, desde 1983, no Conselho Europeu de Jovens Agricultores. A organização actua também na defesa dos interesses dos jovens agricultores e no desenvolvimento do meio rural.
Texto: Felisberto Ruco



























































