O antigo vice-primeiro-ministro e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas, defendeu esta quinta-feira (30), em Maputo, que o País precisa de assegurar estabilidade e segurança jurídica para recuperar a confiança dos investidores e atrair mais capital.
Paulo Portas falava no Fórum Agro-Alimentar Moçambique-Portugal, organizado pela Associação dos Jovens Agricultores de Portugal, que reuniu empresários, investigadores e representantes governamentais para debater oportunidades de cooperação entre os dois países.
Na sua intervenção, o professor universitário e antigo governante português alertou para os custos económicos da instabilidade vivida em Moçambique na sequência da crise de 2024, apontando os impactos nas exportações, no investimento, na dívida e no défice.
“As pessoas têm de ter a noção do custo da instabilidade. Isso paga-se em dívida, paga-se em défice, paga-se em pouco investimento, paga-se em exportações”, afirmou.
Segundo Paulo Portas, os indicadores disponíveis até Abril deste ano revelam já sinais de recuperação. “Eu acho que Moçambique só pode recuperar. E há sinais, e confiança atrai confiança.”
O antigo ministro considerou que o regresso de investidores estrangeiros poderá acelerar esse processo. “Quando franceses voltam, italianos assinam, americanos podem entrar.”
Paulo Portas não especificou, contudo, a que projectos se referia.
Na sua opinião, num contexto internacional marcado por crescente incerteza, a estabilidade tornou-se um dos principais factores de competitividade económica. “Quem for estável no mundo, ganha.” Acrescentou que a diferença entre países estáveis e instáveis tem hoje um peso financeiro determinante nas decisões de investimento.

A segurança jurídica foi outro dos pontos destacados na intervenção. Paulo Portas considerou que os investidores precisam de confiar na capacidade das instituições para resolver, de forma justa, eventuais conflitos relacionados com os seus negócios. “Eu, para fazer um contrato e acreditar que ponho lá o meu capital, tenho de ter a certeza de que, se houver um problema, há uma resolução justa desse problema. Se não, não ponho lá o capital, ponho noutro lado”, explicou.
O professor universitário defendeu igualmente a diversificação da economia, lembrando que os países africanos com maior crescimento não dependem apenas de um produto, de um cliente ou de uma fonte de energia.
Na sua leitura, Moçambique deve procurar posicionar-se como plataforma de entrada das empresas portuguesas no mercado da África Austral. “Não tenho dúvida nenhuma. E deve candidatar-se a isso”, respondeu, quando questionado sobre essa possibilidade, reconhecendo, porém, que o País ainda tem problemas macroeconómicos que precisam de ser resolvidos.
Paulo Portas apontou também a infra-estrutura digital como uma das áreas em que Portugal pode reforçar a cooperação com Moçambique. Segundo referiu, o acesso à Internet e às tecnologias digitais está entre as principais preocupações dos jovens empresários africanos.
Para o antigo governante, Portugal dispõe de empresas com capacidade para contribuir para a expansão das infra-estruturas digitais em território moçambicano, num momento em que vários países africanos apostam neste sector para melhorar a sua competitividade.
A educação foi igualmente apresentada como uma área com potencial para aprofundar as relações entre os dois países. Paulo Portas sugeriu que professores portugueses possam encontrar oportunidades de trabalho em Moçambique, defendendo uma cooperação que vá além dos negócios. “A cooperação não tem de ser só estritamente business. Business é muito importante, mas há muito mais coisas à volta em Portugal e Moçambique”, afirmou.
Sobre a AJAP
A Associação dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP) é uma organização privada sem fins lucrativos, com estatuto de Organização Não Governamental para o Desenvolvimento e reconhecida como pessoa colectiva de utilidade pública. Representa jovens empresários agrícolas portugueses dos 18 aos 40 anos, em Portugal e no estrangeiro.
Com mais de 40 anos de actividade, a AJAP trabalha com entidades públicas e privadas, promove a internacionalização das empresas agrícolas e participa, desde 1983, no Conselho Europeu de Jovens Agricultores. A organização actua também na defesa dos interesses dos jovens agricultores e no desenvolvimento do meio rural.
Texto: Felisberto Ruco



























































