O Millennium bim encerrou o primeiro semestre de 2026 com um crescimento da actividade comercial, dos recursos captados e do financiamento concedido às famílias e às empresas, mantendo indicadores robustos de capital e liquidez, apesar da redução dos resultados provocada pelas imparidades associadas à dívida soberana moçambicana.
O banco registou um resultado líquido de 1,05 mil milhões de meticais — cerca de 14,1 milhões de euros —, uma redução de 37,2% face aos 1,7 mil milhões de meticais, equivalentes a 22,5 milhões de euros, alcançados no primeiro semestre de 2025. A instituição explica que a redução dos lucros resultou da constituição de imparidades e de ajustamentos prudenciais adicionais destinados a incorporar os efeitos da descida da notação financeira da dívida soberana de Moçambique.
Excluindo o impacto destes ajustamentos, o resultado líquido do Millennium bim teria crescido 21,6% em termos homólogos, reflectindo a evolução positiva da actividade bancária e a melhoria do desempenho operacional.
De acordo com as demonstrações financeiras intercalares, apresentadas publicamente no dia 29 de Julho, em Lisboa, pelo grupo BCP, o Millennium bim, um dos bancos considerados sistémicos em Moçambique e controlado pelo Banco Comercial Português, continuou, ainda assim, a expandir o balanço e o volume de negócios, num contexto macroeconómico marcado pelo agravamento do risco soberano e pelas restrições financeiras do Estado.
Crédito às Famílias e Empresas Cresce 11,8%
O crédito bruto concedido aos clientes aumentou 11,8% face ao primeiro semestre de 2025, atingindo 53,6 mil milhões de meticais, suportado pelo crescimento do financiamento dirigido tanto às famílias como às empresas.
Em termos líquidos, a carteira de crédito situou-se em 49,7 mil milhões de meticais, contra 49,3 mil milhões de meticais no final de 2025, representando um crescimento de 0,9% desde o início do ano.
A diferença entre os dois indicadores resulta das bases de comparação utilizadas. O crescimento de 11,8% corresponde à evolução homóloga do crédito bruto, entre Junho de 2025 e Junho de 2026, enquanto o aumento de 0,9% reflecte a variação do crédito líquido face ao encerramento do exercício anterior.
A instituição manteve igualmente indicadores favoráveis de qualidade dos activos. O rácio de crédito vencido há mais de 90 dias situou-se em 2,6%, enquanto a cobertura desta carteira por imparidades atingiu 157%.
Segundo o banco, estes níveis reflectem a adopção de uma política prudente de concessão e acompanhamento do crédito, apesar da maior probabilidade de incumprimento verificada em determinados segmentos da economia.
A evolução do financiamento permitiu ao Millennium bim reforçar as suas quotas de mercado e consolidar a sua posição no sistema financeiro nacional.
Depósitos Atingem 180,6 Mil Milhões de Meticais
Os recursos de clientes cresceram 10,4% em termos homólogos, totalizando 180,6 mil milhões de meticais. O desempenho foi impulsionado sobretudo pelo aumento de 15,3% dos depósitos à ordem.
Face ao final de 2025, quando os depósitos ascendiam a 160,9 mil milhões de meticais, o crescimento foi de 12,2%, reforçando a base de financiamento do banco e a sua capacidade para continuar a conceder crédito à economia.
O activo total líquido aumentou 9,2% em termos homólogos, fixando-se em 226,1 mil milhões de meticais, enquanto a situação líquida atingiu 36,1 mil milhões de meticais.
O rácio de crédito líquido sobre depósitos situou-se em 27,5%, um nível que revela uma posição elevada de liquidez e deixa margem para a instituição continuar a expandir a actividade creditícia.
Já o rácio de solvabilidade atingiu 40,8%, mais de três vezes acima do mínimo regulamentar de 12%. O indicador reflecte a capacidade do banco para absorver perdas, enfrentar eventuais choques financeiros e continuar a apoiar as necessidades de financiamento das famílias e das empresas.
Produto Bancário Cresce Para 10 Mil Milhões de Meticais
Nos primeiros seis meses do ano, o produto bancário aumentou 4,6%, atingindo 10 mil milhões de meticais, sustentado sobretudo pelo crescimento do negócio realizado com os clientes.
A margem financeira avançou 5,8%, beneficiando do aumento dos volumes e da gestão das taxas aplicadas às operações. As comissões cresceram 5,4% no mesmo período.
Os custos operacionais diminuíram 2,3%, reflectindo as medidas de eficiência adoptadas pela instituição. Em sentido contrário, os custos com pessoal aumentaram 13,4%, em resultado da melhoria dos salários e dos benefícios atribuídos aos trabalhadores.
A redução dos custos operacionais, conjugada com a expansão da margem financeira e das comissões, permitiu ao banco compensar parcialmente o impacto das imparidades sobre os resultados.
Base de Clientes Ultrapassa 2,3 Milhões
A base de clientes do Millennium bim ultrapassou os 2,3 milhões, acompanhando o crescimento dos depósitos e da actividade comercial.
Mais de 74% dos clientes activos utilizam regularmente os canais digitais da instituição, com destaque para a aplicação Smart IZI, evidenciando a crescente adopção dos serviços bancários digitais no mercado moçambicano.
O banco destaca ainda ter sido a primeira instituição financeira no mercado nacional a lançar uma solução que permite aos particulares realizar a abertura de uma conta através de um processo totalmente digital.
A aposta na transformação digital foi reconhecida internacionalmente. Em 2026, o Millennium bim foi distinguido pela revista Euromoney como “Melhor Banco de Moçambique” e “Melhor Banco Digital de Moçambique”.
As distinções reconhecem, segundo a instituição, a consistência da sua estratégia, a solidez financeira e o investimento realizado na inovação e na digitalização dos serviços bancários.
Rui Pedro Destaca Estratégia de Crescimento Sustentável
Comentando o desempenho do banco, o presidente da Comissão Executiva do Millennium bim, Rui Pedro, afirmou que os resultados confirmam a adequação da estratégia seguida pela instituição. “Os resultados do primeiro semestre de 2026 confirmam a adequação da estratégia que temos vindo a executar. Esta estratégia assenta num foco contínuo na proximidade com os nossos clientes, na inovação e na transformação digital, sempre suportado por uma gestão prudente do risco e por uma posição financeira sólida”, declarou.
Segundo o responsável, esta combinação permite ao banco “continuar a responder às necessidades das famílias e das empresas moçambicanas, criando valor de forma sustentável e preparando o Millennium bim para os desafios e oportunidades do futuro”.
Dívida Pública Continua a Pressionar Rentabilidade
A redução dos lucros no primeiro semestre prolonga a pressão registada em 2025, ano em que o Millennium bim encerrou o exercício com um resultado líquido de 201 milhões de meticais, equivalente a cerca de 2,7 milhões de euros.
No exercício de 2024, o banco tinha registado lucros de 3,3 mil milhões de meticais, ou aproximadamente 44,6 milhões de euros. Segundo o relatório e contas da instituição, a quebra dos resultados em 2025 esteve relacionada, sobretudo, com a constituição de 5,9 mil milhões de meticais — cerca de 79,5 milhões de euros — em imparidades associadas à exposição do banco à dívida pública.
A redução da notação financeira da dívida soberana de Moçambique obrigou ao reconhecimento de imparidades adicionais, com impactos relevantes na evolução dos resultados.
A rentabilidade foi igualmente condicionada pelo aumento das perdas esperadas em determinados segmentos da carteira de crédito, influenciado pelo contexto macroeconómico adverso e pela reavaliação dos modelos internos de risco.
Perante este enquadramento, o Millennium bim decidiu aplicar os resultados de 2025 em reservas legais e livres, sem distribuir dividendos aos accionistas, tal como já tinha acontecido relativamente ao exercício de 2024.
Millennium BCP Afasta Saída de Moçambique
Na conferência de apresentação dos resultados do grupo, realizada a 29 de Julho, em Lisboa, o presidente executivo do Millennium bcp, Miguel Maya, desvalorizou a redução dos lucros da operação moçambicana e afastou qualquer intenção de desinvestimento no País.
“Não temos nenhuma intenção de sair de Moçambique. Também no passado tivemos alturas em que Portugal estava mais difícil e era compensado pelas operações internacionais; agora podemos ter de compensar Moçambique, mas não há razão nenhuma para desinvestir dessa operação, que continua a ser positiva”, afirmou o responsável.
A posição do grupo confirma a importância estratégica da operação moçambicana na sua presença internacional, apesar do impacto que a deterioração do risco soberano tem exercido sobre os resultados mais recentes.
O Banco Internacional de Moçambique, comercialmente conhecido como Millennium bim, iniciou a actividade em Outubro de 1995, em resultado de uma parceria estratégica entre o Banco Comercial Português e o Estado moçambicano.
A maioria do capital é detida pelo BCP África, do grupo Millennium bcp, com uma participação de 66,69%, seguindo-se o Estado moçambicano, com 17,12%.
O Instituto Nacional de Segurança Social detém 4,95% do capital, enquanto a Empresa Moçambicana de Seguros controla uma participação de 4,15%, estando o restante distribuído por outros accionistas.
Com mais de 2,3 milhões de clientes, o Millennium bim mantém-se como uma das maiores instituições financeiras de Moçambique, com uma posição relevante na captação de depósitos, no financiamento às famílias e empresas e na estabilidade do sistema bancário nacional.



























































