Cerca de 65% dos jovens cabo-verdianos inquiridos manifestaram, em 2025, intenção de emigrar, sobretudo pela procura de emprego e de melhores condições salariais, revelou nesta terça-feira (27) um estudo do Instituto Nacional de Estatística (INE) de Cabo Verde.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que 64,6% dos jovens cabo-verdianos entre os 15 e os 35 anos pretendem emigrar, demonstrando que a mobilidade internacional continua a ser uma forte aspiração desta faixa da população. A intenção de deixar o País é mais elevada entre os homens.
Os dados constam do inquérito “Aspirações dos Jovens Cabo-verdianos 2025”, realizado no primeiro semestre do ano com base numa amostra representativa de 9918 agregados familiares, distribuídos pelos 22 concelhos do arquipélago.
A predisposição para emigrar é particularmente elevada entre os jovens dos 15 aos 20 anos, dos quais 78,1% manifestam essa intenção. A ilha do Fogo regista a percentagem mais elevada (82,3%). A procura de emprego surge como principal motivo para emigrar, seguida da continuação dos estudos.
O estudo revela ainda que a taxa de desemprego jovem é de 10,7%, agravando-se entre as mulheres (14,7%) e entre os jovens dos 15 aos 20 anos (16,5%). Além disso, 54,7% dos inquiridos consideram fracas ou muito fracas as oportunidades de emprego existentes em Cabo Verde, apontando a falta de formação e os baixos rendimentos como os principais obstáculos à integração no mercado de trabalho.
Apesar da forte intenção de emigrar, os jovens que pretendem permanecer no país justificam essa opção sobretudo pelos laços familiares e de proximidade, referidos por 62,7% dos inquiridos.
O INE assinala ainda que, embora a taxa de empreendedorismo jovem permaneça reduzida, cresce o interesse pela criação de empresas. Para os próximos cinco anos, os jovens apontam como principais prioridades prosseguir os estudos, entrar no mercado de trabalho e desenvolver um negócio próprio.
Entre os principais problemas identificados destacam-se a falta de oportunidades de emprego (61,9%), o consumo de drogas sintéticas (52,3%), o consumo de álcool (47,1%), os baixos salários (39,9%), o acesso à educação de qualidade (25,2%) e a gravidez precoce (20,7%).
Os resultados vão ao encontro de uma sondagem da Afrosondagem, divulgada em Dezembro de 2024, segundo a qual 64% dos cabo-verdianos já tinham ponderado emigrar, apontando igualmente a procura de emprego como principal motivo.
Fonte: Lusa



























































