Moçambique tornou-se um dos 29 Estados fundadores da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, conhecida pela sigla WAICO, após assinar o acordo de criação da entidade a 16 de Julho, em Xangai, na República Popular da China.
De acordo com a Forbes África Lusófona, a nova organização internacional tem como objectivo promover a cooperação global no desenvolvimento e na utilização responsável da inteligência artificial, com uma abordagem centrada no ser humano e orientada para o benefício colectivo.
Além de Moçambique, integram o grupo fundador países como a África do Sul, a Argélia, o Brasil, a China, Cuba, a Etiópia, o Quénia, a Rússia e a Venezuela. Os Estados signatários comprometeram-se a reforçar a cooperação internacional para garantir que o desenvolvimento da inteligência artificial seja seguro, ético, responsável e acessível. O acordo prevê igualmente a promoção de um ambiente aberto, justo, equitativo e não discriminatório para o desenvolvimento desta tecnologia, bem como a redução das desigualdades no acesso às novas soluções digitais.
A organização deverá trabalhar para ampliar o acesso dos países às tecnologias e aos serviços de inteligência artificial, reforçando simultaneamente a cooperação na prevenção dos riscos e desafios associados ao avanço desta tecnologia.
A assinatura do acordo antecedeu a Conferência Mundial de Inteligência Artificial de 2026 e a Reunião de Alto Nível sobre a Governação Global da Inteligência Artificial, realizadas entre 17 e 20 de Julho, em Xangai. Os encontros reuniram dirigentes políticos, representantes de organizações internacionais, especialistas e responsáveis governamentais de vários países para discutir o futuro da inteligência artificial e os mecanismos necessários para assegurar uma governação global mais inclusiva.
Na abertura do evento, o Presidente chinês, Xi Jinping, apelou ao reforço da cooperação multilateral, à promoção de tecnologias de código aberto e ao alargamento do acesso dos países em desenvolvimento às novas soluções tecnológicas.
O dirigente criticou o recurso excessivo ao conceito de segurança nacional para justificar restrições à circulação internacional de tecnologias, considerando que estas barreiras agravam as desigualdades tecnológicas e limitam o desenvolvimento económico dos países do Sul Global. Xi Jinping defendeu ainda que a inteligência artificial deve ser encarada como uma oportunidade colectiva para promover o desenvolvimento comum, e não como um instrumento de aprofundamento das relações de dependência entre os países.
Durante o encontro, a China anunciou que irá reforçar o apoio aos países em desenvolvimento na criação de capacidades no domínio da inteligência artificial. Entre as iniciativas apresentadas está a disponibilização de cinco mil oportunidades de formação e participação em seminários sobre esta tecnologia ao longo dos próximos cinco anos.
O país prevê igualmente criar centros internacionais de cooperação tecnológica e desenvolver projectos conjuntos com os BRICS, a Associação das Nações do Sudeste Asiático, a União Africana e países da América Latina. Está também prevista a disponibilização de sistemas de inteligência artificial aplicados à meteorologia para cerca de 30 países, com o objectivo de melhorar os mecanismos de alerta precoce para fenómenos climáticos extremos e desastres naturais.
Os 29 membros fundadores da WAICO são Argélia, Bielorrússia, Brasil, Camboja, Camarões, China, Congo, Cuba, Etiópia, Indonésia, Cazaquistão, Quénia, Quirguistão, Laos, Lesoto, Malásia, Myanmar, Moçambique, Nicarágua, Omã, Paquistão, Rússia, Senegal, Sérvia, África do Sul, Tajiquistão, Uzbequistão, Venezuela e Zâmbia.



























































