A qualidade da água na albufeira de Chicamba, na província de Manica, registou uma melhoria significativa após a suspensão das actividades de mineração de ouro, com os níveis de turbidez a baixarem para cerca de 15 Unidades Nefelométricas de Turbidez (NTU).
De acordo com o jornal Domingo, a qualidade da água dos rios que alimentam a albufeira de Chicamba registou uma melhoria visível, evolução acolhida positivamente pelo Conselho dos Serviços Provinciais de Representação do Estado em Manica.
Até Janeiro deste ano, os níveis de turbidez encontravam-se acima de 170 NTU, indicando uma elevada concentração de partículas suspensas e uma forte turvação da água. Nessas condições, o recurso não devia ser consumido sem um tratamento rigoroso.
Antes das medidas de suspensão, a situação chegou a níveis considerados críticos. Dados divulgados anteriormente indicavam que a turbidez da albufeira atingira 250 NTU, devido ao impacto da mineração desordenada nos rios que desaguam em Chicamba. Em Janeiro, o Diário Económico noticiou que a paralisação das licenças já tinha permitido reduzir em mais de 50% a turvação do reservatório.
A nova descida para cerca de 15 NTU demonstra uma continuação do processo de recuperação da albufeira. A melhoria é igualmente atribuída à retirada de equipamento mineiro, incluindo dragas e embarcações que operavam nos leitos dos rios Revuè e Chimedza, no distrito de Manica.
A suspensão das actividades foi determinada pelo Governo em 2025, depois de as autoridades identificarem um cenário de exploração mineira descontrolada, envolvendo operadores artesanais e empresas licenciadas. Algumas companhias operavam sem sistemas adequados de contenção de resíduos e sem planos de recuperação das áreas degradadas.
Em Maio de 2025, o Governo suspendeu cinco empresas mineiras por graves infracções ambientais. Meses depois, outras empresas foram penalizadas, numa altura em que as autoridades admitiam dificuldades para controlar a poluição causada pela mineração artesanal e industrial na província.
A degradação da albufeira provocou também consequências no sector energético. Em Setembro de 2025, a produção da Central Hidroeléctrica de Chicamba caiu de 44 para 20 megawatts, devido à elevada concentração de sedimentos, que obrigava à interrupção regular das operações para a manutenção das turbinas.
Para além da deposição de lamas, as autoridades manifestaram preocupação com o uso de substâncias perigosas na exploração de ouro. Uma comissão parlamentar de inquérito confirmou a utilização de mercúrio e cianeto por empresas e operadores artesanais, bem como fragilidades na fiscalização e na recuperação ambiental das áreas exploradas.
A poluição representava um risco para as populações, uma vez que a albufeira de Chicamba constitui uma das principais fontes de abastecimento de água para as cidades de Chimoio, Manica e Gôndola, assim como para Messica, Bandula e várias comunidades circunvizinhas.
As autoridades deverão manter a monitorização da qualidade da água e realizar inspecções nas zonas afectadas, com o objectivo de avaliar a recuperação dos solos, a estabilização dos caudais e o cumprimento das medidas de restauração ambiental impostas aos operadores mineiros.




























































