A luta de África contra a corrupção apresenta sinais de recuperação após anos de retrocessos, com vários países a reforçarem os mecanismos de fiscalização e responsabilização, embora a confiança pública nos esforços anticorrupção continue frágil.
Segundo o Índice Ibrahim de Governação Africana (IIAG), o conjunto de dados mais abrangente para avaliar a governação em África, divulgado em 2026 pela Fundação Mo Ibrahim, a pontuação média do continente no indicador de combate à corrupção passou de 38,6 pontos, em 2016, para 39,1 pontos, em 2025.
Embora o aumento global de 0,5 pontos pareça modesto, o resultado revela uma alteração significativa da tendência. O desempenho nesta área deteriorou-se entre 2016 e 2020, antes de recuperar de forma expressiva na segunda metade da década, levando a Fundação a classificar a trajectória do continente como de “Melhoria Crescente”.
O relatório do IIAG avalia a capacidade dos países para prevenir e combater a corrupção nas instituições públicas, incluindo os poderes executivo, legislativo e judicial, os sistemas de contratação pública e os mecanismos de prevenção e combate à corrupção. A análise considera igualmente a corrupção no sector privado e a percepção pública sobre o fenómeno.
O Ruanda e as Seicheles lideram, em conjunto, o ranking africano, ambos com 76,6 pontos, ficando 21 pontos à frente do Burkina Faso, que encerra o grupo dos dez países mais bem classificados, com 55,6 pontos.
Embora o Ruanda mantenha a liderança desde 2016, as Seicheles registaram a evolução mais expressiva da última década, com um ganho de 26,3 pontos e uma subida de 12 posições, passando a partilhar o primeiro lugar.
Segue-se a lista dos dez países africanos com melhor desempenho no combate à corrupção.

Progresso continua desigual no continente
Para além dos países com melhor desempenho, o relatório evidencia fortes contrastes na evolução do combate à corrupção em África.
As Seicheles, Angola, Chade, Somália e Togo registaram os maiores progressos na última década. A Somália, apesar de continuar próxima dos últimos lugares do ranking continental, apresentou um dos ganhos mais expressivos no longo prazo, demonstrando que mesmo países com instituições de governação frágeis podem alcançar avanços significativos ao longo do tempo.
No extremo oposto, as Comores, Libéria, África do Sul, Níger e Botsuana registaram os maiores recuos desde 2016. O caso do Botsuana merece particular destaque, uma vez que o país foi durante muito tempo considerado um dos principais exemplos de boa governação em África, apesar da recente deterioração do seu desempenho.
A nível regional, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) registou a média mais elevada neste indicador em 2025, com 44,5 pontos, enquanto a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD) apresentou o resultado mais baixo, com 26,9 pontos.
A União do Magrebe Árabe (UMA) destacou-se como o bloco regional com a evolução mais rápida, tendo todos os seus Estados-membros melhorado o desempenho nesta área ao longo da última década.
O relatório aponta ainda progressos encorajadores na redução da corrupção no sector privado, que registou a evolução mais positiva entre os seis indicadores analisados. Em contrapartida, a percepção pública sobre os esforços anticorrupção foi o indicador que mais se deteriorou durante a década, apesar de ter iniciado uma recuperação depois de atingir o nível mais baixo em 2022.
Os resultados indicam que, embora muitos governos africanos tenham reforçado as instituições anticorrupção e os mecanismos de fiscalização, transformar essas reformas num aumento da confiança da população continua a ser um dos principais desafios de governação do continente.
Fonte: Business Insider Africa



























































