A Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) estima que cada área de conservação em Moçambique necessita de um investimento anual entre três e quatro milhões de dólares para assegurar uma gestão adequada, proteger a biodiversidade e desenvolver infra-estruturas.
A estimativa foi avançada pelo director-geral do organismo, Pejul Pedro Sebastião Calenga, citado pela Agência de Informação de Moçambique (AIM), ao explicar que o financiamento actualmente disponível continua abaixo das necessidades reais. Segundo o responsável, o montante aplicado anualmente em cada área de conservação varia entre 1,5 milhão e dois milhões de dólares, valor que apenas permite assegurar as condições mínimas de funcionamento. “Em média, é necessário investir entre três e quatro milhões de dólares por ano em cada área de conservação, se quisermos ter condições efectivas ao nível do desenvolvimento de infra-estruturas e da gestão da fauna bravia”, afirmou.
O director-geral explicou que os recursos disponíveis representam pouco mais de metade do financiamento necessário para garantir uma gestão eficiente das áreas protegidas. Perante esta limitação, o Governo continua a recorrer ao apoio de parceiros internacionais e de organizações filantrópicas, ao mesmo tempo que procura atrair capital privado para acelerar a recuperação e o desenvolvimento destas áreas.
Os recursos são necessários não apenas para a protecção da biodiversidade, mas também para a construção e manutenção de estradas de acesso, pistas de aterragem e outras infra-estruturas básicas. Destinam-se igualmente ao combate à caça furtiva, à gestão dos conflitos entre seres humanos e animais selvagens, à aquisição de equipamentos de fiscalização e ao reforço dos recursos humanos. Segundo Calenga, Moçambique dispõe de uma vantagem competitiva praticamente única no continente africano, por combinar atracções marinhas e terrestres localizadas a distâncias relativamente curtas.
O responsável considera que o País está entre os poucos destinos africanos onde os visitantes podem observar os chamados “cinco grandes” marinhos e terrestres, conjugando turismo de praia, mergulho e safaris numa única viagem. “O aspecto fundamental é esta vantagem comparativa e competitiva que temos, ao oferecer duas grandes atracções, tanto na paisagem marinha como na terrestre”, declarou.
Como exemplo, destacou o Parque Nacional de Maputo, onde os turistas podem deslocar-se da costa para o interior em poucos minutos e observar espécies marinhas, como tubarões, raias e dugongos, antes de encontrarem elefantes e outros grandes animais terrestres. Referiu igualmente a província de Inhambane, onde o turismo balnear pode ser combinado com visitas ao Parque Nacional de Zinave, criando uma oferta integrada de ecoturismo.
Para a ANAC, a preservação dos ecossistemas constitui um investimento directo no crescimento do sector do turismo, uma vez que protege a fauna e as paisagens naturais e, simultaneamente, cria melhores condições de acesso para os visitantes. No entanto, a maioria das áreas de conservação situa-se em regiões remotas, o que exige avultados investimentos em estradas, pistas de aterragem, equipamentos de monitorização e infra-estruturas adequadas para receber turistas. Na perspectiva de Calenga, este esforço permitirá melhorar a experiência dos visitantes e reforçar a competitividade de Moçambique no mercado internacional do ecoturismo.
Para ilustrar a dimensão dos recursos necessários à recuperação dos ecossistemas, o responsável revelou que o Parque Nacional de Zinave recebeu cerca de 15 milhões de dólares em investimentos nos últimos três anos. As verbas foram aplicadas na recuperação das populações de animais selvagens, através de um processo apoiado por parceiros internacionais e organizações filantrópicas, com destaque para a Peace Parks Foundation, entidade responsável pela co-gestão do parque.
Apesar dos progressos alcançados, o director-geral da ANAC reconheceu que o financiamento público e o apoio dos parceiros de desenvolvimento continuam insuficientes para responder às necessidades de toda a rede de áreas de conservação de Moçambique.




























































