A australiana South32 estimou custos extraordinários de 104 milhões de euros na sequência da paralisação da fundição de alumínio Mozal, a maior unidade industrial de Moçambique. No exercício fiscal de 2026, encerrado a 30 de Junho, a produção caiu 30% e as vendas recuaram 22%, após a suspensão das operações em Março.
Segundo o relatório trimestral da empresa, citado pela Lusa, os encargos incluem 28 milhões de euros em indemnizações a trabalhadores e custos com rescisões contratuais. Acrescem ainda perdas contabilísticas de 76 milhões de euros relacionadas com matérias-primas, consumíveis e inventários, depois de a fundição ter entrado em regime de conservação e manutenção a 15 de Março.
Antes da suspensão da actividade, a Mozal empregava, de forma directa e indirecta, mais de quatro mil trabalhadores. Até Março de 2026, produziu 248 mil toneladas de alumínio, menos 30% do que no exercício anterior, enquanto as vendas caíram de 351 mil para 275 mil toneladas.
Entre Abril e Junho, período que corresponde ao primeiro trimestre completo após a paralisação, a fundição não produziu qualquer tonelada de alumínio. Nesse intervalo, a empresa apenas vendeu cerca de 46 mil toneladas provenientes dos inventários existentes, mantendo a unidade sem actividade industrial.
A suspensão das operações ocorreu após vários meses de negociações sem acordo sobre o preço da electricidade necessária para manter a fundição em funcionamento. A South32 considerou a tarifa proposta economicamente insustentável e justificou o encerramento com a impossibilidade de assegurar energia a um custo compatível com a actividade.
Numa conferência com investidores realizada em Março, o então director-executivo da empresa, Graham Kerr, explicou que a única proposta formal apontava para um preço próximo de 100 dólares por megawatt-hora. Segundo afirmou, a empresa considerava viável pagar, no máximo, cerca de 51 dólares por megawatt-hora.
A empresa recorda que a electricidade representa aproximadamente um terço dos custos operacionais da Mozal. A fundição necessita de cerca de 950 megawatts para operar continuamente, energia fornecida pela Hidroeléctrica de Cahora Bassa através da rede da sul-africana Eskom, cujo contrato terminou em Março. A seca na albufeira de Cahora Bassa agravou ainda as limitações no fornecimento.
Apesar de ter admitido anteriormente a possibilidade de retomar a produção caso as condições energéticas melhorassem, a South32 anunciou, a 1 de Julho, a venda de parte dos seus activos globais de alumínio à norte-americana Alcoa Corporation, numa operação avaliada em até 4,8 mil milhões de euros. A Mozal, porém, ficou fora do negócio.
A fundição continua sob controlo da South32, que afirma estar a analisar diferentes alternativas para o futuro da unidade. Paralelamente, a sul-africana Industrial Development Corporation (IDC), accionista com 32,48% da Mozal, contratou consultores independentes para avaliar a compra da participação maioritária da South32 e estudar soluções que permitam retomar a produção com um fornecimento de energia sustentável.


























































