A Câmara Africana de Energia (AEC) e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) reforçaram a sua colaboração estratégica para acelerar o investimento, expandir o conteúdo local e criar novas oportunidades de negócio ao longo de toda a cadeia de valor dos hidrocarbonetos. A parceria visa posicionar Moçambique como um dos destinos de investimento energético mais competitivos de África.
Segundo um comunicado recebido pelo DE, a parceria resulta de uma reunião de trabalho entre as duas instituições e assenta numa visão comum de acelerar a mobilização de capital para o sector energético. Ao alinhar a sua rede internacional de investidores com as prioridades de desenvolvimento da ENH, a AEC pretende reforçar a cooperação no sector e apoiar as ambições energéticas de longo prazo do País.
A iniciativa surge num momento considerado decisivo para Moçambique. Depois do levantamento da cláusula de força maior nos principais projectos de gás natural liquefeito (GNL), no final de 2025, o País entrou num dos maiores ciclos de construção no sector energético a nível mundial, com mais de 50 mil milhões de dólares já mobilizados na bacia do Rovuma.
No âmbito desta parceria, a AEC irá trabalhar com a ENH na captação de investimento internacional, no reforço do diálogo político e na resolução de desafios regulamentares e operacionais que influenciam a execução dos projectos. O acordo prevê igualmente o fortalecimento do conteúdo local, através da formação de competências, do reforço das cadeias de abastecimento nacionais e do aumento da participação das empresas moçambicanas na indústria do petróleo e gás.
O reforço da cooperação acontece numa altura em que os maiores projectos de GNL continuam a ganhar dinamismo. O projecto Mozambique LNG, da TotalEnergies, avaliado em mais de 20 mil milhões de dólares, retomou a construção a pleno ritmo a 29 de Janeiro de 2026, depois de a cláusula de força maior ter sido levantada a 7 de Novembro de 2025.
Projectos de GNL e estratégia da ENH impulsionam nova fase do sector
Com o regresso de mais de quatro mil trabalhadores ao local, o empreendimento mantém o objectivo de iniciar a produção no primeiro semestre de 2029. Quando entrar em funcionamento, terá capacidade para produzir 13,1 milhões de toneladas de GNL por ano, reforçando o papel de Moçambique no mercado internacional de gás.
Entretanto, o projecto Rovuma LNG, da ExxonMobil, estimado em 30 mil milhões de dólares, prossegue os trabalhos de engenharia antes da decisão final de investimento. Em paralelo, o Coral Norte FLNG, da italiana Eni, aprovado em 2025, deverá duplicar a capacidade de produção flutuante de GNL da Área 4 quando iniciar as operações em 2028.
Além dos grandes projectos de exportação, a ENH definiu a exploração e produção em terra como uma prioridade estratégica. Em colaboração com a AEC, a empresa pretende atrair novos investidores para as bacias terrestres, ao mesmo tempo que avança com o objectivo de se tornar operadora directa de campos. Esta estratégia complementa os progressos registados no bloco de Búzi, onde a ENH detém uma participação de 25% e prevê iniciar a produção comercial de gás antes do final de 2026.
A monetização do gás para o mercado interno constitui igualmente um dos pilares da estratégia da ENH. A empresa aposta no desenvolvimento de uma indústria petroquímica nacional e na expansão das infra-estruturas de gás, ao abrigo da concessão de 30 anos atribuída em Novembro de 2025. Paralelamente, reforçou a formação técnica de profissionais moçambicanos através de um acordo com a Baker Hughes, multinacional norte-americana de tecnologia e serviços para a indústria de energia, contribuindo para aumentar a participação das empresas nacionais nos mais de 4 mil milhões de dólares em contratos previstos para os projectos de GNL no País.




























































