A Associação Moçambicana de Seguradoras (AMS) defendeu o desenvolvimento de soluções de seguros adaptadas à realidade moçambicana, considerando que uma gestão eficaz do risco é fundamental para reforçar a confiança dos investidores, mobilizar financiamento e impulsionar o desenvolvimento económico.
A posição foi apresentada por Manuel Gamito, presidente do Conselho de Administração da AMS, durante o Painel 4 – “Made in Africa: Soluções Africanas para Estruturar a Economia Real”, realizado no âmbito do Banking, Financial Services and Insurance Mozambique (BFSI) 2026, através de videoconferência.
Na sua intervenção, Manuel Gamito defendeu que o principal desafio de Moçambique e de África não é necessariamente a escassez de capital, mas a necessidade de reduzir os riscos associados às actividades económicas, tornando a economia mais atractiva para o investimento. Segundo o responsável, “actividades económicas expostas a elevados níveis de risco dificilmente conseguem mobilizar financiamento, uma vez que a incerteza reduz a confiança dos investidores e das instituições financeiras”.
Neste contexto, apontou o seguro como um instrumento estratégico capaz de transformar risco em confiança e confiança em investimento, criando condições mais favoráveis ao financiamento da economia real. Defendeu igualmente que África deve desenvolver soluções ajustadas às suas próprias características económicas e sociais, em vez de depender exclusivamente de modelos concebidos para outras realidades.
Na sua perspectiva, os produtos seguradores devem responder às necessidades concretas dos produtores, empresários e restantes agentes económicos, tendo em conta os riscos específicos enfrentados em cada país. Entre os instrumentos com maior potencial, destacou “os seguros agrícolas, os seguros paramétricos contra catástrofes naturais e os micro seguros”, considerando que estas soluções podem aumentar a inclusão financeira, proteger os produtores e estimular o investimento.
O presidente da AMS sublinhou também o papel da digitalização na expansão da actividade seguradora, ao permitir uma maior cobertura, reduzir as barreiras de acesso e aproximar a protecção financeira de pessoas e empresas anteriormente excluídas. Como uma das principais recomendações, defendeu o reforço da capacidade africana de retenção de risco, com vista a aumentar a resiliência do sector segurador e reduzir a dependência de soluções externas.
Apontou ainda a necessidade de reforçar a integração entre seguros, banca e mecanismos de financiamento produtivo, de forma a criar um ecossistema mais favorável ao investimento e ao crescimento das empresas. Segundo Manuel Gamito, “nenhuma economia consegue crescer de forma sustentável sem mecanismos eficazes de gestão de risco, razão pela qual o seguro deve ser encarado como uma infra-estrutura estratégica para reforçar a confiança, mobilizar investimento e promover o desenvolvimento económico”.
Realizado nos dias 22 e 23 de Julho, o Banking, Financial Services and Insurance Mozambique (BFSI) 2026 reuniu membros do Governo, reguladores, representantes de instituições financeiras, bancos, seguradoras, fintechs, investidores, parceiros de cooperação, empresários e especialistas para debater soluções destinadas a acelerar a transformação digital, reforçar a inclusão financeira e promover o desenvolvimento do sistema financeiro nacional.




























































