Uma equipa de cientistas da Universidade de Kiel, na Alemanha, desenvolveu uma tecnologia que permite às baterias monitorizar e transmitir informações sobre o seu estado interno sem recorrer a cabos de comunicação adicionais, numa inovação que poderá tornar os sistemas de gestão de baterias mais simples, económicos e seguros.
O sistema, apresentado por investigadores do Departamento de Electrónica de Potência da Universidade de Kiel, permite que as baterias funcionem como dispositivos capazes de “comunicar” dados sobre eventuais anomalias no seu interior, utilizando os próprios terminais já existentes para carregamento e descarga. Ao contrário das soluções tradicionais, que exigem cablagem específica para ligar sensores internos, a nova tecnologia aproveita a infra-estrutura eléctrica da própria bateria para transmitir informações recolhidas por esses sensores.
Actualmente, nas baterias utilizadas em veículos eléctricos e sistemas de armazenamento de energia, os sensores de temperatura são normalmente instalados na parte exterior das células. Contudo, os especialistas alertam que situações potencialmente perigosas, como o sobreaquecimento, podem ter origem no interior da célula antes de serem detectadas externamente.
Segundo a equipa de investigação, a instalação de sensores internos é tecnicamente possível, mas implica, em regra, a adição de componentes electrónicos e cabos suplementares, ocupando espaço num sistema em que a compactação constitui um dos principais desafios. Para ultrapassar esta limitação, os cientistas integraram um pequeno circuito electrónico na célula da bateria, capaz de converter as leituras dos sensores em sinais digitais transmitidos através dos mesmos terminais utilizados para o fornecimento de energia.
A solução utiliza uma técnica conhecida como Modulação por Deslocamento de Carga (LSK, sigla de Load Shift Keying), que aproveita sinais de alta frequência gerados pelos próprios conversores electrónicos da bateria para transmitir os dados dos sensores, eliminando a necessidade de sistemas de comunicação independentes.
“O nosso trabalho é o primeiro passo rumo a baterias inteligentes que monitorizam e reportam continuamente o seu próprio estado”, afirmou Hamzeh Beiranvand, investigador responsável pelo projecto.
Segundo os investigadores, a tecnologia poderá reduzir em cerca de 35% os custos dos sistemas convencionais de monitorização de baterias, uma vez que elimina a necessidade de componentes adicionais de comunicação. Além da temperatura, o sistema poderá futuramente ser adaptado para transmitir dados provenientes de outros sensores, incluindo pressão, gases ou outros indicadores relacionados com o estado interno da bateria.
Johannes Diers, investigador de doutoramento e primeiro autor do estudo, explicou que o conceito poderá contribuir para o desenvolvimento de baterias de nova geração, capazes de avaliar continuamente o seu estado de funcionamento. Apesar dos resultados promissores, a tecnologia encontra-se ainda numa fase experimental e não está disponível para integração imediata em veículos eléctricos ou sistemas comerciais de armazenamento de energia.
Fonte: Sapo



























































