O Governo defende que uma transformação digital sustentável deve assentar em três pilares fundamentais: o reforço das infra-estruturas críticas, a valorização dos recursos naturais através da tecnologia e a governação de dados. A posição foi apresentada pelo ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, na abertura do painel sobre Transformação Digital Sustentável, durante a quarta edição do Banking, Financial Services and Insurance Mozambique (BFSI) 2026.
Na ocasião, o governante afirmou que a transformação digital deve ser encarada como uma política de Estado transversal a todos os sectores da economia, constituindo um instrumento para promover o desenvolvimento económico, a competitividade, a inclusão e a soberania nacional.
“É precisamente nessa perspectiva que o Governo de Moçambique encara a transformação digital como uma agenda de soberania e não como um projecto do Ministério das Comunicações e Transformação Digital, mas como uma política de Estado transversal a todos os sectores da economia e essencial para concretizar a visão de desenvolvimento do País”, afirmou. Segundo Américo Muchanga, uma transformação digital sustentável deve contribuir para a construção de um futuro mais resiliente, inclusivo e próspero, assente em três pilares fundamentais.
O primeiro pilar diz respeito às infra-estruturas críticas, consideradas indispensáveis para o desenvolvimento da economia digital. Não existe economia digital sem conectividade”, afirmou o ministro, acrescentando que o acesso às comunicações deve chegar a todas as regiões do País, incluindo as zonas rurais.
Segundo explicou, também não é possível desenvolver serviços financeiros digitais sem centros de dados, nem construir um governo digital sem redes seguras capazes de garantir a confiança dos cidadãos. Não existe banca digital sem centros de dados” e “não existe governo digital sem redes seguras”, sublinhou. O governante acrescentou que o desenvolvimento da inteligência artificial exige igualmente investimento em capacidade computacional e em infra-estruturas digitais adequadas. As infra-estruturas digitais passaram a ser tão estratégicas para o desenvolvimento como as estradas, os portos ou as barragens”, afirmou.
“Os dados representam actualmente um activo estratégico para qualquer economia, sendo determinantes para inovar, atrair investimento, desenvolver novos serviços e aumentar a produtividade”
Américo Muchanga – ministro das Comunicações e Transformação Digital.
Américo Muchanga revelou que o sector das telecomunicações conta actualmente com cerca de 29,77 milhões de subscrições e que, entre 2020 e 2025, investiu mais de 843 milhões de dólares, gerando receitas superiores a 3,4 mil milhões de dólares. Apesar destes progressos, considerou necessário continuar a expandir as infra-estruturas digitais, nomeadamente através do reforço da banda larga, das redes de quinta geração, da fibra óptica e das soluções de conectividade por satélite, sobretudo nas zonas rurais.
O ministro alertou igualmente para o crescimento das ameaças cibernéticas, considerando que a segurança digital passou a constituir uma componente da segurança nacional. Neste contexto, recordou que o Governo aprovou recentemente a Lei da Segurança Cibernética, a Lei dos Crimes Cibernéticos, o Regulamento dos Centros de Dados e o Regulamento da Computação em Nuvem, apelando às empresas para que preparem a implementação das novas exigências legais. O segundo pilar identificado pelo governante é o da valorização dos recursos naturais.
Segundo explicou, o desafio do País já não consiste apenas em extrair os recursos do subsolo, mas em gerar maior valor acrescentado através da industrialização e da utilização de tecnologias digitais. Na sua perspectiva, ferramentas como inteligência artificial, sensores inteligentes, plataformas digitais e análise avançada de dados podem melhorar a gestão dos recursos naturais, aumentar a transparência, combater actividades ilícitas, optimizar processos produtivos e impulsionar uma industrialização mais inteligente.
Mais importante ainda, permite transformar a riqueza natural em desenvolvimento sustentável”, afirmou. O terceiro pilar apresentado por Américo Muchanga é a governação de dados. Segundo o ministro, os dados representam actualmente um activo estratégico para qualquer economia, sendo determinantes para inovar, atrair investimento, desenvolver novos serviços e aumentar a produtividade. Ao mesmo tempo, defendeu que a utilização dos dados deve respeitar princípios de protecção, ética e confiança, garantindo os direitos dos cidadãos e reforçando a relação entre o Estado, as empresas e a sociedade.
Neste âmbito, revelou que o Governo está a preparar a futura Lei de Protecção de Dados Pessoais e a Política Estratégica Nacional de Governação de Dados, apelando à participação das empresas e restantes intervenientes no processo de consulta. “O objectivo aqui é claro. Queremos criar um ambiente onde os dados sejam simultaneamente um instrumento de inovação, de competitividade e de soberania digital”, declarou.
Sobre o evento:
O Banking, Financial Services and Insurance Mozambique (BFSI) 2026 decorre ao longo de dois dias e reúne membros do Governo, reguladores, representantes de instituições financeiras, bancos, seguradoras, fintechs, investidores, parceiros de cooperação, empresários e especialistas para debater soluções destinadas a acelerar a transformação digital, reforçar a inclusão financeira e promover o desenvolvimento do sistema financeiro nacional.
Texto: Felisberto Ruco




























































