O Porto de Maputo passa a contar com uma nova ligação ferroviária para o escoamento de concentrado de lítio proveniente do Zimbabué, na sequência de uma parceria entre operadores ferroviários e logísticos. A iniciativa, que liga a região mineira de Gwanda, no sul daquele país, ao terminal portuário localizado na cidade de Maputo, alarga as alternativas de transporte do mineral utilizado no fabrico de baterias.
A empresa estatal National Railways of Zimbabwe (NRZ) anunciou, esta terça-feira (21), que a nova solução resulta de uma parceria com operadores privados. Actualmente, o Zimbabué, maior produtor africano de lítio, transporta grande parte deste minério para exportação por via rodoviária, uma alternativa mais dispendiosa e sujeita a limitações logísticas.
Segundo um comunicado da NRZ, a empresa estabeleceu uma parceria com a Beitbridge Bulawayo Railway (BBR), subsidiária da sul-africana Grindrod, e com a empresa logística zimbabueana Silvergill. A operação permitirá transportar as primeiras mil toneladas de concentrado de lítio da mina de Gwanda, pertencente ao grupo chinês Tsingshan Holding Group, até ao Porto de Maputo.
De acordo com a NRZ, o primeiro troço do percurso será efectuado ao longo de 180 quilómetros na linha ferroviária da BBR, entre Gwanda, na província de Matabeleland Sul, e Beitbridge, cidade fronteiriça com a África do Sul.
A partir de Beitbridge, a linha da NRZ, com cerca de 300 quilómetros, assegura a ligação até ao posto fronteiriço de Chicualacuala, na província de Gaza, em Moçambique.
De Chicualacuala, a carga seguirá pela Linha do Limpopo até ao Porto de Maputo. Este troço ferroviário tem cerca de 522 quilómetros, elevando a extensão total da ligação entre Gwanda e o porto moçambicano para aproximadamente mil quilómetros.

A NRZ enfrenta dificuldades há vários anos devido ao subinvestimento do Governo do Zimbabué. Perante este cenário, a empresa tem reforçado as parcerias com operadores privados de logística para aumentar o volume de carga transportada, que caiu de um pico de 12 milhões de toneladas na década de 1990 para dois milhões de toneladas em 2025.
Grande parte das minas de lítio do Zimbabué está localizada ao longo de um corredor ferroviário no sentido oeste-sudeste, que liga o país a Moçambique. Esta rota permite o encaminhamento dos minerais para os portos moçambicanos, de onde seguem posteriormente para mercados internacionais, com a China como principal destino.
O sector do lítio no Zimbabué é dominado por empresas chinesas, entre as quais Zhejiang Huayou Cobalt, Sinomine, Sichuan Yahua, Chengxin Lithium e Tsingshan. Desde 2021, a Tsingshan Holding Group investiu cerca de dois mil milhões de dólares em minas e unidades de processamento no país africano.
Importância estratégica do lítio na transição energética
O lítio é um metal utilizado principalmente na produção de baterias recarregáveis, sobretudo para veículos eléctricos, telemóveis, computadores portáteis e sistemas de armazenamento de energia. As suas características, como a elevada capacidade de armazenamento energético e baixo peso, tornam-no um dos minerais mais procurados na transição para fontes de energia mais limpas.
A crescente procura mundial por veículos eléctricos e tecnologias de armazenamento de energia tem aumentado a importância estratégica do lítio. Países com grandes reservas deste mineral, como o Zimbabué, procuram aproveitar esta oportunidade para atrair investimento, desenvolver a indústria mineira e aumentar o processamento local antes da exportação.
Para Moçambique, a utilização do corredor ferroviário até ao Porto de Maputo reforça o papel das suas infra-estruturas logísticas no apoio ao comércio regional. A nova rota poderá contribuir para diversificar as cargas movimentadas pelo sistema ferroviário e consolidar o País como uma porta de saída para minerais produzidos nos países vizinhos.
Fonte: Reuters




























































