O Presidente da República (PR), Daniel Chapo, desafiou esta quarta-feira (22), em Maputo, empresários e investidores a aderirem a uma “aliança nacional pelo investimento produtivo”. O chefe do Estado defendeu que os grandes projectos energéticos devem impulsionar a industrialização, a criação de emprego e o desenvolvimento económico de Moçambique, evitando um modelo de crescimento baseado em “enclaves”, onde a riqueza gerada não beneficia a economia nacional.
Falando na abertura do Mozambique CEO Summit 2026, Daniel Chapo afirmou que o País deve transformar o seu potencial económico em benefícios concretos para a população e reforçar o seu papel na integração económica regional.
“O lema escolhido para a edição deste ano do Mozambique CEO Summit, Moçambique como ‘hub’ energético regional, liderando a próxima fronteira de crescimento em África, traduz uma pretensão nacional clara e legítima do País, de afirmar-se como a plataforma regional de produção, transporte, transformação e comercialização de energia ao serviço da sua industrialização e da integração da África Austral”, afirmou o PR.
O chefe do Estado sublinhou que Moçambique dispõe de recursos energéticos, corredores logísticos, portos, recursos minerais e vastas áreas de terras aráveis capazes de sustentar uma nova fase de crescimento económico. Ainda assim, reconheceu que a economia nacional continua excessivamente dependente da indústria extractiva, nomeadamente da exploração de carvão, areias pesadas, grafite e gás natural.
“Nós queremos, desde já, diversificar”, afirmou Daniel Chapo, defendendo que os recursos energéticos devem servir, em primeiro lugar, para o desenvolvimento do País. “A nossa aspiração não é ser apenas uma nação que exporta energia ou matérias-primas, mas usar a energia para produzir mais, transformar mais, empregar mais e competir melhor”, declarou.
“Precisamos de uma aliança nacional pelo investimento produtivo, pela industrialização, pela criação de emprego, pela valorização do capital humano e pela integridade na gestão de recursos públicos e privados”
Daniel Chapo
O Presidente acrescentou que Moçambique deve assumir um papel mais relevante na segurança energética da África Austral, numa altura em que vários países da região enfrentam défices de energia eléctrica. “A maioria dos nossos países vizinhos irmãos está a enfrentar desafios sérios no fornecimento de energia eléctrica e nós temos de dar resposta a essa procura”, disse, apontando os projectos de gás natural da bacia do Rovuma, os empreendimentos hidroeléctricos do vale do Zambeze e o programa ‘Energia para Todos’ como os principais pilares desta estratégia.
Apesar do potencial do sector energético, Daniel Chapo defendeu que os benefícios dos megaprojectos têm de reflectir-se de forma efectiva na economia nacional. “Os grandes investimentos devem criar ligações reais com a economia nacional, abrir oportunidades para as micro, pequenas e médias empresas (MPME), transferir conhecimento, respeitar as comunidades locais, proteger o ambiente e obedecer à legislação nacional”, afirmou.
O chefe do Estado apelou ainda à mobilização conjunta do Estado, do sector privado e dos parceiros de desenvolvimento para concretizar esta visão. “Precisamos de uma aliança nacional pelo investimento produtivo, pela industrialização, pela criação de emprego, pela valorização do capital humano e pela integridade na gestão de recursos públicos e privados”, avançou.
Dirigindo-se ao sector privado, Daniel Chapo garantiu que o Governo continuará a melhorar o ambiente de negócios através da simplificação de procedimentos, da redução das barreiras burocráticas, do combate à corrupção, do reforço da integridade institucional e da resposta a factores que afectam o investimento, entre os quais os raptos.
Fonte: Lusa




























































