A Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) defende que a capacitação das pequenas e médias empresas (PME), acompanhada pelo reforço da governação e da transparência, é essencial para facilitar o seu acesso ao financiamento, tanto através do crédito bancário como do mercado de capitais.
A posição foi apresentada por Alcino Michaque, administrador de Operações da BVM, durante um painel da quarta edição do Banking, Financial Services and Insurance Mozambique (BFSI) 2026. Na sua intervenção, Michaque começou por enquadrar o papel do sistema financeiro na implementação da Estratégia de Desenvolvimento 2025-44, recentemente aprovada pelo Governo.
Segundo explicou, a estratégia assenta, entre outros aspectos, na transformação estrutural da economia, com enfoque em sectores como energia, agronegócio e turismo. Para o responsável, a questão central consiste em perceber o que o sistema financeiro pode oferecer para alavancar o potencial económico do País e apoiar as pequenas e médias empresas, que representam a maior parte do tecido empresarial moçambicano. “O que o nosso sistema financeiro pode oferecer para alavancar este potencial que existe, para alavancar as pequenas e médias empresas que, na verdade, constituem o nosso maior tecido empresarial?”, questionou.
Alcino Michaque explicou que o sistema financeiro integra diferentes componentes, incluindo a componente monetária, cambial, o crédito e o mercado de capitais, no qual está inserida a Bolsa de Valores. Segundo afirmou, a BVM é, por natureza, uma plataforma vocacionada para a mobilização de capital de médio e longo prazo, embora funcione com critérios e requisitos próprios.
Neste contexto, indicou que a Bolsa tem vindo a reflectir sobre formas de apoiar e aproximar as pequenas e médias empresas do mercado de capitais. Foi neste quadro que a instituição lançou, em 2019, o Terceiro Mercado, um segmento criado para responder às características das PME. “O Terceiro Mercado foi, efectivamente, uma resposta à natureza das nossas pequenas e médias empresas”, afirmou.
Segundo Michaque, o segmento foi criado para aproximar da Bolsa empresas que, à partida, não conseguiam reunir todos os requisitos exigidos para obter financiamento através do mercado de capitais. “O Terceiro Mercado foi criado para trazer, para mais perto da Bolsa, este tipo de empresas que, logo à partida, não conseguiam reunir todos os requisitos para poderem financiar-se através do mercado de capitais”, explicou.

O administrador de Operações da BVM recordou que o mercado de capitais moçambicano dispõe de diferentes mecanismos e segmentos, incluindo o mercado de dívida, o mercado accionista, o mercado de cotações oficiais, o segundo mercado e o terceiro mercado. Apesar da existência destes instrumentos, reconheceu que os desafios continuam.
Segundo afirmou, elementos como confiança, governação e transparência devem estar sempre presentes quando se fala do mercado de capitais. Contudo, Alcino Michaque considerou que uma das principais questões continua a ser a capacitação das pequenas e médias empresas. “A questão da capacitação é vital para que elas possam tornar-se bancáveis, seja no circuito de crédito ou no mercado de capitais”, declarou.
O responsável acrescentou que o próprio mercado de capitais possui exigências que devem ser cumpridas pelas empresas interessadas em captar financiamento. Na sua perspectiva, uma das alavancas que ainda faltam às PME é a melhoria da sua governação, transparência e organização, de modo a tornarem-se empresas financiáveis. “Penso que esta é uma das alavancas que têm faltado às empresas, que é a questão de melhorar a sua governação, a sua transparência e tornarem-se empresas bancáveis”, referiu.
Sobre o evento
O Banking, Financial Services and Insurance Mozambique (BFSI) 2026 decorre ao longo de dois dias e reúne membros do Governo, reguladores, representantes de instituições financeiras, bancos, seguradoras, fintechs, investidores, parceiros de cooperação, empresários e especialistas para debater soluções destinadas a acelerar a transformação digital, reforçar a inclusão financeira e promover o desenvolvimento do sistema financeiro nacional.
Texto: Felisberto Ruco




























































