A Associação de Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) decidiu prolongar por mais 30 dias a greve nacional, que consiste na paralisação total das actividades em todas as unidades sanitárias do País. Em greve desde Janeiro, a associação justifica a continuidade da paralisação com a persistência da falta de medicamentos, de materiais e pela ausência de respostas às suas principais reivindicações.
O presidente da APSUSM, Anselmo Muchave, declarou, na última segunda-feira (20), em Maputo, que a escassez de medicamentos e materiais continua a comprometer o funcionamento das unidades sanitárias e a afectar o atendimento aos doentes em todo o País. Recorde-se que, numa posição anteriormente tornada pública, a associação chegou a exigir a demissão do ministro da Saúde, Ussene Isse, responsabilizando igualmente o Governo pela alegada má gestão hospitalar e pela falta de medicamentos.
“Os profissionais de saúde estão a usar os seus salários baixos para comprar materiais de protecção e higiene para ajudar a população. As condições nos hospitais do País estão cada vez piores. Em alguns dos principais hospitais, consultas consideradas urgentes e exames complementares são agendados com meses de antecedência, comprometendo o tratamento dos pacientes”, afirmou Anselmo Muchave.
Segundo o responsável, a paralisação visa pressionar o Governo a criar melhores condições de trabalho, assegurar o fornecimento regular de medicamentos e de equipamentos médicos e cirúrgicos, garantir alimentação aos doentes internados e aumentar o número de camas hospitalares para reduzir a superlotação.
O presidente da APSUSM afirmou ainda que, há dois meses, o Governo solicitou provas sobre a crise nas unidades sanitárias. “Em 24 horas, a APSUSM apresentou medicamentos vencidos e uma escassez crónica de medicamentos em todo o País. Temos provas de que os hospitais estão a enfrentar falta de medicamentos”, disse Anselmo Muchave.
Perante este cenário, a APSUSM voltou a apelar ao Governo para adoptar um plano de emergência que responda à alegada escassez de medicamentos e de materiais médico-cirúrgicos. A associação defendeu que a gravidade da situação exige medidas imediatas para garantir o abastecimento regular de medicamentos essenciais em todas as unidades sanitárias.
“A dimensão dos desafios exige medidas imediatas e a implementação de um plano concreto para garantir o fornecimento regular de medicamentos essenciais e materiais médico-cirúrgicos. As restrições estão a afectar diversas unidades de saúde em todo o País, incluindo hospitais de referência, dificultando a prestação de cuidados de saúde e aumentando a pressão sobre os profissionais do sector”, afirmou Anselmo Muchave.
Desde Janeiro, a APSUSM tem convocado greves de 30 dias, sucessivamente renovadas, exigindo também o pagamento integral do tradicional Bónus de Ano Novo, conhecido como o “13.º salário”, equivalente a um mês adicional de salário-base. A associação mantém ainda as reivindicações por melhores condições de trabalho e pelo fornecimento regular de materiais médico-cirúrgicos.
Fonte: Agência de Informação de Moçambique (AIM)



























































