Os bancos centrais africanos deverão manter as taxas de juro em níveis elevados durante mais tempo, à medida que o reacender das hostilidades entre os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão aumenta os receios de inflação, sobretudo nos países africanos que dependem da importação de combustíveis. O encerramento do Estreito de Ormuz voltou a pressionar os preços do petróleo e dos fertilizantes, alterando as expectativas em relação à política monetária na região, informou a Bloomberg.
Pelo menos 11 bancos centrais africanos deverão anunciar decisões sobre as taxas de juro nas próximas três semanas. Os analistas consideram que o agravamento das tensões no Médio Oriente deslocou o debate da possibilidade de cortes das taxas para a necessidade de manter uma política monetária restritiva durante mais tempo, de forma a conter a inflação e proteger as moedas nacionais.
Segundo Sam Singh-Jami, responsável pela investigação sobre África no Rand Merchant Bank, o aumento dos preços dos combustíveis está a repercutir-se nos custos dos transportes, da alimentação e na inflação de várias economias importadoras de petróleo. Ainda assim, Hasnain Malik, da Tellimer (plataforma global de tecnologia e dados financeiros), considera que muitos bancos centrais entram nesta nova fase de incerteza em melhores condições, graças às políticas monetárias prudentes adoptadas nos últimos anos.
A ronda de decisões começa na Nigéria, seguindo-se o Gana e a África do Sul. O banco central nigeriano e o Banco do Gana deverão manter as taxas directoras inalteradas, em 26,5% e 14%, respectivamente, após as reduções efectuadas no início do ano, uma vez que as expectativas de inflação continuam elevadas.
No caso da Nigéria, os analistas consideram improvável um regresso ao ciclo de flexibilização da política monetária enquanto persistirem as pressões inflacionistas. No Gana, onde a inflação voltou a acelerar devido ao aumento dos custos das importações, espera-se igualmente uma postura cautelosa por parte do banco central.
Na África do Sul, as previsões apontam para uma subida de 25 pontos-base da taxa directora, para 7,25%. A recuperação dos preços do petróleo reforçou as expectativas de um novo aumento, depois de os mercados terem reduzido anteriormente as apostas numa subida das taxas.
A decisão sul-africana poderá influenciar igualmente Essuatíni, Lesoto e Namíbia, cujas moedas estão indexadas ao rand. Em Moçambique, depois de interromper o ciclo de redução das taxas em Março, espera-se um aumento do custo do crédito na próxima semana, impulsionado pela subida da inflação, pela escassez de divisas e pelas pressões orçamentais, prevendo-se que a taxa MIMO atinja 10,5% até ao final de 2026.
Já o Maláui deverá manter as taxas inalteradas, enquanto Quénia, Maurícias e Uganda também deverão optar por manter a política monetária sem alterações. No caso do Quénia, uma inflação inferior ao esperado reduz a probabilidade de uma subida das taxas, mas os analistas entendem que ainda não existem condições para iniciar um ciclo de descida, devido aos riscos associados ao aumento dos preços da energia e às persistentes expectativas inflacionistas.




























































