A organização não-governamental alemã Johanniter International Assistance alertou neste domingo, 19 de Julho, que cerca de 1,1 milhão de pessoas no norte do País necessitam de assistência humanitária, incluindo 919 mil apenas em Cabo Delgado.
Segundo o portal de notícias Agenzia Fides, a organização refere que apenas metade das pessoas necessitadas está actualmente a receber assistência, a qual continua a ser insuficiente para responder à crise que afecta a região há vários anos. As necessidades mais prementes incluem cuidados de saúde, assistência alimentar, educação e protecção.
ONG lança programas de assistência para responder às necessidades mais urgentes
Para responder a estes desafios, a ONG lançou um conjunto de programas de assistência com a duração de 12 meses.
“À luz do conflito em curso, o nosso consórcio está empenhado em restaurar os serviços de saúde, nutrição, protecção, educação e assistência para os mais vulneráveis”, afirmou Morris Kolubah, director nacional da Johanniter em Moçambique.
O anúncio surgiu um dia depois de o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) divulgar um relatório segundo o qual mais de 12 mil pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas apenas no mês de Junho, devido à violência na região. Desde o início do ano, mais de 26 mil pessoas foram deslocadas, das quais 80% são mulheres e crianças.
Deslocamentos aumentam e agravam pressão sobre recursos escassos
Os dados relativos a Junho representam um aumento acentuado face aos meses anteriores de 2026, quando os deslocamentos mensais tinham descido para apenas algumas centenas de pessoas. Ainda assim, de acordo com o relatório do OCHA, os números continuam significativamente abaixo dos registados em 2025.
“À luz do conflito em curso, o nosso consórcio está empenhado em restaurar os serviços de saúde, nutrição, protecção, educação e assistência para os mais vulneráveis”
Morris Kolubah
O Gabinete das Nações Unidas salienta que as pessoas que fogem das suas casas permanecem na província de Cabo Delgado ou deslocam-se para distritos vizinhos. Este movimento agrava ainda mais a crise humanitária, uma vez que o acesso a recursos já escassos, afectados não apenas pelo conflito, mas também pelos efeitos das alterações climáticas, se torna mais complicado devido ao aumento da densidade populacional num único distrito.
Financiamento insuficiente compromete resposta à crise
Tanto a Johanniter como o OCHA destacaram igualmente a escassez de financiamento, que continua a comprometer a resposta à crise. No final de 2025, as Nações Unidas lançaram o Plano de Necessidades Humanitárias e de Resposta de Moçambique, solicitando 348 milhões de dólares para fazer face às crises prolongadas que afectam o País, incluindo a emergência em Cabo Delgado. Seis meses depois, tinham sido mobilizados apenas 116 milhões de dólares, o equivalente a 34% do montante solicitado.
A província de Cabo Delgado é afectada pela insurgência desde 2017, quando o grupo armado Al-Shabaab realizou o primeiro ataque na vila de Mocímboa da Praia. Desde 2019, o grupo encontra-se afiliado ao Estado Islâmico e tem combinado a ideologia jihadista com propaganda dirigida às comunidades locais e às indústrias extractivas da região, particularmente às actividades ligadas ao gás natural.
O episódio mais marcante associado à insegurança na região foi a suspensão do projecto de gás natural liquefeito (GNL) liderado pela francesa TotalEnergies, na península de Afungi, junto à vila de Palma. A paralisação prolongou-se durante vários anos, mas a empresa anunciou que pretende retomar as operações até ao final de 2026.




























































