A dívida governamental angolana aumentou 9,12% no primeiro semestre, face a Dezembro do ano passado, para 72 mil milhões de dólares, segundo dados apresentados nesta segunda-feira, 20 de Julho, em Luanda.
De acordo com uma publicação da Lusa, o balanço do Plano Anual de Endividamento (PAE) foi apresentado no Museu da Moeda pelo director-geral da Unidade de Gestão da Dívida Pública (UGD), Dorivaldo Teixeira.
“O crescimento da dívida explica-se sobretudo pelas emissões de Eurobonds”, disse o responsável, sublinhando que o financiamento está agora menos concentrado no curto prazo, o que melhora o perfil negocial do Estado e visa reduzir as taxas de juro. Transportes e energia estão entre os sectores que mais consomem financiamento.
Do total, a dívida externa representava 50,91 mil milhões de dólares, mantendo o maior peso na carteira, enquanto a dívida interna ascendia a 21,14 mil milhões de dólares.
O endividamento líquido executado no semestre, no valor de 4,5 mil milhões de dólares, excedeu em 5,2% o limite programado no PAE, um desvio de 228 milhões de dólares que Dorivaldo Teixeira desvalorizou, já que deverá ser absorvido com as amortizações do segundo semestre.
As tensões geopolíticas, nomeadamente a guerra no Irão, provocaram aumentos na cotação do petróleo, principal produto de exportação angolano, fazendo subir o preço por barril, mas os ganhos foram limitados por constrangimentos na produção.
Ainda assim, a escalada dos preços no mercado petrolífero aliada à diminuição da percepção do risco, beneficiou a dívida angolana nos mercados externos, permitindo ao Estado refinanciar-se a taxas mais favoráveis do que nos últimos anos.
Angola regressou em Março ao mercado internacional de capitais e voltou a emitir em Maio, mobilizando cerca de 4 mil milhões de dólares em Eurobonds, 2,5 mil milhões de dólares na primeira operação e 1,5 mil milhões de dólares na segunda, destacou o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, na sessão de abertura.
As operações incluíram a recompra antecipada de obrigações no valor total de 1,2 mil milhões de dólares, para aliviar a concentração de amortizações em 2028 e 2029, acrescentou.
Do total, a dívida externa representava 50,91 mil milhões de dólares, mantendo o maior peso na carteira, enquanto a dívida interna ascendia a 21,14 mil milhões de dólares
No semestre, as emissões e desembolsos totalizaram 10,6 mil milhões de dólares e as amortizações efectivas 5,9 mil milhões de dólares.
Já a dívida garantida por petróleo recuou de 7,37 mil milhões de dólares no final de 2025 para 6,83 mil milhões de dólares em Junho, destacou o governante, acrescentando que “a sustentabilidade das finanças públicas não pode depender de forma permanente da evolução de uma única matéria-prima”.
Ottoniel dos Santos advertiu, porém, que o peso do serviço da dívida, a exposição cambial elevada e a volatilidade das condições de financiamento internacional continuam a limitar a margem orçamental, afirmando que o trabalho deve continuar “sem triunfalismos”.




























































