A política e activista dos direitos humanos, Graça Machel, desafiou, nesta sexta-feira (17), os líderes da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) a apresentarem um plano para acabar com a fome na região, defendendo que existem recursos para garantir produção alimentar.
Falando aos jornalistas em Maputo, Graça Machel afirmou que gostaria que os líderes regionais impulsionassem a produção de alimentos, questionando a dependência de importações e a prevalência de fome quando os países da SADC têm “terra, rios” e alguns “já foram exemplo de produção alimentar”.
Graça Machel considerou que a organização regional se concentra excessivamente na realização de reuniões e na aprovação de resoluções, sem responder de forma eficaz aos desafios sociais e económicos comuns dos Estados-membros.
A activista apontou também o desemprego juvenil como um dos principais desafios da região, questionando as razões que levam milhares de jovens a procurar oportunidades na África do Sul para exercer actividades informais que, defendeu, poderiam desenvolver nos seus próprios países.
“Por que é que milhares de jovens vão para a África do Sul vender na estrada ou trançar cabelo? Aquelas coisas que eles fazem lá, por que é que não fazem aqui? Ou por que é que não se sentem motivados a ficar aqui?”, perguntou.
A antiga ministra da Educação apelou igualmente ao reforço da solidariedade entre os povos da região e defendeu o envolvimento de organizações de mulheres, sindicatos, empresários e jovens na prevenção de tensões e no fortalecimento da integração regional.
A África do Sul, que é há muito um destino preferencial para os trabalhadores africanos, tem sido abalada há várias semanas por protestos e agitação contra os imigrantes, acusados de tirar empregos aos sul-africanos.
A violência xenófoba já matou 11 moçambicanos, segundo dados do Governo, que tem agora outros dois cidadãos gravemente feridos num ataque armado na terça-feira na província sul-africana de Gauteng, associado à violência contra imigrantes, segundo informação divulgada pelo Gabinete de Informação de Moçambique (Gabinfo).
Fonte: Lusa





























































