O Governo britânico prevê reduzir em 90% a ajuda bilateral a Moçambique até 2029, passando dos actuais 58,5 milhões de euros para 5,8 milhões de euros anuais, mas mantendo cooperação em iniciativas de transição energética. A redução enquadra-se na estratégia britânica de diminuição gradual da ajuda pública ao desenvolvimento para o equivalente a 0,3% do Rendimento Nacional Bruto até 2027, após a decisão do Governo de canalizar mais recursos para a despesa com defesa.
Os dados constam do Relatório e Contas 2025-26 do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Commonwealth e Desenvolvimento do Reino Unido (FCDO), citado pela Lusa, que detalha as previsões de financiamento da ajuda pública ao desenvolvimento para os próximos anos.
Segundo o documento, Moçambique deverá receber 58,5 milhões de euros em 2025-26, valor que deverá cair para 32,1 milhões de euros no exercício seguinte, 18,4 milhões de euros em 2027-28 e 5,8 milhões de euros em 2028-29.
Moçambique figura entre os países mais afectados pela revisão da ajuda britânica, a par do Maláui, ambos com cortes previstos de cerca de 90% até 2028-29. No caso do país vizinho, a ajuda bilateral deverá igualmente reduzir-se para 5,8 milhões de euros nesse exercício. O FCDO prevê ainda reduções de 83% para o Ruanda e para a Serra Leoa, cujas dotações deverão situar-se em cerca de cinco milhões de libras.
O relatório refere que o Reino Unido destinou, no conjunto, cerca de 10,1 mil milhões de euros à ajuda pública ao desenvolvimento durante o exercício de 2025-26, o equivalente a aproximadamente 71% do orçamento do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Commonwealth e Desenvolvimento. Contudo, acrescenta que a nova estratégia privilegia um número mais reduzido de parcerias consideradas de maior impacto estratégico.
Apesar da forte redução prevista para Moçambique, Londres afirma manter áreas de cooperação consideradas prioritárias, nomeadamente nos domínios da transição energética e das alterações climáticas. Nesse contexto, o relatório destaca que, durante a COP30, o Reino Unido acordou com Moçambique um plano de acção para a energia limpa, integrado num conjunto de iniciativas semelhantes celebradas também com a União Africana, as Caraíbas, o Chile e a Colômbia.
Segundo o FCDO, estes acordos destinam-se a mobilizar financiamento privado, reforçar capacidades técnicas e desenvolver carteiras de projectos aptos para investimento, no âmbito da estratégia britânica de promoção da transição energética nos países parceiros.
O documento não especifica o montante associado ao plano de acção com Moçambique, limitando-se a enquadrá-lo na política britânica de apoio à energia limpa, à resiliência climática e ao desenvolvimento sustentável.
Os números apresentados mostram igualmente que a ajuda bilateral britânica a Moçambique tem registado oscilações significativas nos últimos anos.
“Moçambique figura entre os países mais afectados pela revisão da ajuda britânica, a par do Maláui, ambos com cortes previstos de 90% até 2028-29”
Em 2020 ascendia a 61,2 milhões de euros, baixando para 37,6 milhões de euros em 2021, 33,5 milhões de euros em 2022 e 35,9 milhões de euros em 2023, antes de subir para 54,8 milhões de euros em 2024. O mesmo relatório indica ainda que a assistência humanitária britânica destinada a Moçambique aumentou de 5,4 milhões de euros em 2023 para 20,4 milhões de euros em 2024, reflectindo uma prioridade acrescida ao apoio em situações de emergência.
Moçambique surge também entre os países abrangidos pelo Fundo de Crise do FCDO, que prevê uma alocação de 2,3 milhões de euros no exercício de 2025-26.
O relatório refere ainda Maputo entre as localizações abrangidas por investimentos imobiliários da rede diplomática britânica, a par de cidades como Tóquio, Nicósia, Lagos e Bagdade.



























































