O ministro dos Transportes de Cabo Verde, João do Carmo, admitiu nesta quinta-feira (16), na cidade da Praia, uma reestruturação da companhia aérea estatal (TACV) que faz voos internacionais, alegando que o Estado não consegue suportar os custos mensais.
“O Estado não aguenta essa responsabilidade mensal. Temos de pensar no país, no tesouro público e nos cabo-verdianos”, referiu, em declarações aos jornalistas, após encontros com a Unidade de Gestão de Projectos Especiais do Estado e representantes do Banco Mundial.
“A situação é muito crítica. Estamos a falar de uma empresa que vive permanentemente numa situação financeira negativa. Vamos colocar sobre a mesa todos os cenários”, declarou.
De acordo com o governante, as hipóteses passam por “uma reestruturação profunda, como primeiro cenário; o segundo passa por parcerias estratégicas ou pela entrada de investidores; o terceiro consiste na redefinição do modelo de negócio. Por último, surge, no limite, o cenário de liquidação da empresa”.
“Seria irresponsabilidade nossa falar exclusivamente da liquidação da TACV, do nada, sem qualquer estudo e sem recorrer a alternativas. Contudo, seria ainda mais irresponsável manter a companhia como está. O país não aguenta”, afirmou.
A situação deficitária da TACV tem motivado recomendações há vários anos. Diversas entidades defendem que o Estado deve concentrar-se em resolver as falhas crónicas nos voos domésticos, segmento em que detém o monopólio, abandonando as ligações internacionais, onde enfrenta uma concorrência crescente de companhias de baixo custo.
“Os preços dos combustíveis mais elevados e a entrada e expansão de companhias aéreas de baixo custo nas rotas externas implicam maiores perdas para a TACV, pelo que o Governo deve reconsiderar a reafectação destes recursos para melhorar a conectividade inter-ilhas”, alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI), em Maio.
Em 2024, o Governo cabo-verdiano separou a operação doméstica, que passou para outra empresa pública, sob a marca CVsky, responsável pelas ligações aéreas entre as ilhas.
Segundo os últimos dados, publicados num relatório estatal sobre o sector empresarial, a companhia aérea de Cabo Verde registou um resultado líquido negativo de 5,8 milhões de euros no terceiro trimestre de 2024, figurando entre as empresas públicas que apresentam maior risco.
“A situação é muito crítica: estamos a falar de uma empresa que vive permanentemente numa situação financeira negativa. Vamos colocar sobre a mesa todos os cenários”
João do Carmo
Apesar de evidenciar “uma performance operacional robusta”, uma “trajectória sustentada de recuperação” e “um significativo potencial de crescimento”, a rentabilidade foi afectada por “gastos operacionais totais de 17,2 milhões de euros, com destaque para os custos de leasing, que atingiram 5,2 milhões de euros e continuam a representar um peso relevante”, lê-se no documento.
O anterior Governo, liderado pelo Movimento para a Democracia (MpD), defendia que era necessário actuar com prudência para evitar uma dependência excessiva das companhias aéreas de baixo custo no transporte aéreo internacional, tendo em conta a condição arquipelágica de Cabo Verde e a forte diáspora cabo-verdiana.
João do Carmo, actual ministro com a tutela dos Transportes, integra o Executivo empossado em Junho, na sequência da vitória do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) nas eleições de 17 de Maio.
Fonte: Lusa



























































