O director da Divisão de Gestão de Projectos da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX), Adelino Balate, apelou esta quarta-feira (15) aos investidores chineses para expandirem os seus negócios em Moçambique, destacando as oportunidades existentes nos sectores da agricultura, indústria, energia, turismo, logística e mineração. O apelo foi lançado durante a 21.ª edição da Conferência Anual do Sector Privado (CASP 2026), iniciada esta terça-feira, numa sessão paralela subordinada ao tema “Oportunidades de Negócios entre Moçambique e China”.
Na apresentação dirigida aos empresários chineses, Adelino Balate destacou o potencial económico de Moçambique, afirmando que o País dispõe de recursos ainda subaproveitados e com elevada capacidade para atrair investimento. “Moçambique possui cerca de 36 milhões de hectares de terra arável, dos quais apenas 15% estão actualmente em exploração. Além disso, dispõe de aproximadamente 2700 quilómetros de costa, oferecendo oportunidades de investimento nos sectores do turismo, das pescas e da economia azul”, afirmou.
Adelino Balate referiu igualmente que a posição geoestratégica de Moçambique constitui uma das principais vantagens competitivas do País. Segundo explicou, os portos de águas profundas de Maputo, Beira e Nacala, aliados aos corredores logísticos que ligam Moçambique aos mercados da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), incluindo o Zimbabué, a Zâmbia e o Maláui, reforçam o seu potencial como plataforma regional de comércio e investimento.
O responsável salientou ainda que o enquadramento legal proporciona condições favoráveis ao desenvolvimento de novos investimentos. “No caso específico das zonas económicas especiais, contamos actualmente com três zonas abrangidas por este regime. Contudo, o quadro legal inclui igualmente outros instrumentos, como a Lei das Parcerias Público-Privadas, a Lei do Trabalho, a Lei do Comércio, a Lei de Desenvolvimento, bem como a legislação aplicável aos sectores do petróleo e do gás. Este conjunto de normas cria as condições necessárias para desenvolver actividades e explorar todo o potencial do mercado moçambicano”, sublinhou.
Além do enquadramento legal, Adelino Balate destacou os incentivos fiscais disponíveis para investidores nacionais e estrangeiros. Entre os benefícios figuram isenções de direitos aduaneiros e do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) na importação de equipamentos e materiais destinados aos projectos, bem como incentivos relacionados com a depreciação acelerada, a formação profissional e a introdução de novas tecnologias.
“A APIEX está disponível para apoiar investidores em todas as fases do processo, desde a constituição de empresas até à obtenção de licenças”
Adelino Balate
Ao abordar a cooperação económica entre Moçambique e a China, o responsável recordou que os dois países dispõem de acordos de promoção e protecção recíproca de investimentos. “Nos últimos cinco anos, a China foi o principal investidor em Moçambique, período durante o qual foram aprovados projectos avaliados em cerca de 18 mil milhões de dólares, com destaque para os sectores da energia, mineração, cerâmica e indústria transformadora”, afirmou.
Para Adelino Balate, continuam a existir amplas oportunidades de investimento, sobretudo no processo de industrialização da economia moçambicana. Segundo explicou, o Governo pretende promover a transformação local de matérias-primas como o algodão, a grafite, o titânio e outros recursos minerais, acrescentando valor aos produtos antes da sua exportação.
“A APIEX está disponível para apoiar os investidores em todas as fases do processo, desde a constituição de empresas até à obtenção de licenças e vistos, bem como no acompanhamento dos projectos”, frisou, reforçando o apelo para que mais empresários chineses escolham Moçambique como destino de investimento.
Texto: Florença Nhabinde & Soares Comé



























































