A directora-geral da Sasol em Moçambique, Sónia Matsinhe, defendeu, esta terça-feira (14), que a competitividade das empresas depende, antes de qualquer outro factor, da existência de energia fiável, infra-estruturas resilientes e uma logística eficiente, considerando que estes três elementos constituem a base para o crescimento sustentável da economia.
A representante da Sasol falava durante a 21.ª Conferência Anual do Sector Privado (CASP), num painel dedicado ao tema “Infra-Estruturas, Logística e Energia: Base da Competitividade Empresarial”.
Na ocasião, afirmou que, embora factores como o financiamento, a inovação e o talento sejam importantes, “a competitividade começa quando as empresas têm confiança de que conseguirão produzir, operar e fazer chegar os seus produtos ao mercado de forma eficiente”.
A responsável explicou que a experiência da Sasol em Moçambique demonstra a importância dessa integração. Segundo referiu, a empresa opera uma infra-estrutura composta por cerca de 50 quilómetros de gasodutos, que ligam os poços à unidade central de processamento, em Temane, na província de Inhambane.
A partir daí, o gás natural é transportado através do gasoduto até à África do Sul, enquanto o condensado e o gás de cozinha (GPL) seguem por via rodoviária para abastecer o mercado nacional.
Segundo a directora-geral, a Sasol contribui, há mais de duas décadas, para a segurança energética de Moçambique, fornecendo gás natural que alimenta as centrais termoeléctricas de Ressano Garcia, Maputo e Temane, que totalizam 452 megawatts de capacidade instalada. “Mais do que produzir energia, estes investimentos criam condições para as outras empresas produzirem, investirem e crescerem. Neste caso, nos seus sectores. Quando falamos de comodidade, perguntamos frequentemente de que infra-estruturas precisamos”, destacou.
Matsinhe sublinhou ainda o impacto do novo projecto desenvolvido ao abrigo da licença do Acordo de Partilha de Produção (PSA, sigla inglesa de Production Sharing Agreement), cuja unidade central de processamento entrou recentemente em funcionamento. “Quando atingir a sua capacidade máxima, a infra-estrutura produzirá cerca de 23 milhões de gigajoules de gás natural por ano, quantidade suficiente para gerar aproximadamente 450 megawatts de electricidade”, referiu
A responsável acrescentou: “O projecto permitirá igualmente disponibilizar cerca de 30 mil toneladas anuais de gás de cozinha para o mercado nacional, reduzindo a dependência das importações, além de produzir aproximadamente quatro mil barris diários de petróleo leve destinados à exportação”.
Na sua intervenção, Sónia Matsinhe defendeu que o verdadeiro valor das infra-estruturas não reside apenas na sua dimensão física, mas também na capacidade de impulsionarem o desenvolvimento económico. “A construção de um ambiente competitivo depende de uma forte parceria entre o Governo, o sector privado e as comunidades, sustentada por uma visão de longo prazo, capaz de promover o crescimento das empresas e, consequentemente, da economia moçambicana”, concluiu.
Sobre o evento
Sob o tema “Produzir, Transformar e Competir: Construindo uma Economia Forte e Resiliente”, a 21.ª CASP 2026 está a decorrer desde ontem, 14, até hoje, 15 de Julho em Maputo. O encontro reúne representantes do Governo, empresários, organizações empresariais, parceiros de cooperação, instituições financeiras, académicos e especialistas, com o objectivo de aprofundar o diálogo público-privado, avaliar o cumprimento das recomendações da edição anterior e identificar reformas, investimentos e oportunidades capazes de reforçar a produção nacional, a transformação local e a competitividade da economia.
O programa inclui painéis sobre infra-estruturas, logística e energia, transformação digital, agro-negócio e segurança alimentar, turismo, industrialização e conteúdo local, capital humano, acesso aos mercados externos, financiamento das pequenas e médias empresas, resiliência empresarial e melhoria do ambiente de negócios, além de sessões bilaterais entre Moçambique e o Japão e entre Moçambique e a China, bem como espaços destinados à apresentação de oportunidades de investimento e parcerias empresariais.
Texto: Felisberto Ruco & Soares Comé


























































