A previsão da inflação em Angola foi, nesta terça-feira (14), revista em baixa para 8,6% no final de 2026 e a de crescimento económico em alta para 3,6%, anunciou o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias.
“Não se vislumbrando pressões inflacionistas nos próximos meses, o Comité de Política Monetária (CPM) reviu em baixa a projecção da taxa de inflação para 8,6% no final de 2026, com um intervalo de variação de mais ou menos um ponto percentual”, afirmou o governador no final da 130.ª Reunião Ordinária daquele órgão, realizada na província de Malanje.
Na reunião anterior do CPM, realizada em Maio, em Luanda, a projecção do banco central angolano apontava para uma inflação de 11,5% no final de 2026.
Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), a inflação homóloga fixou-se em 10,11% em Junho, face aos 19,73% registados no mesmo mês do ano anterior, confirmando a trajectória de desaceleração dos preços.
A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), por sua vez, foi revista em alta, de 3,5% para 3,6%, reflectindo o desempenho positivo do sector não petrolífero, cujo crescimento é agora estimado em 4,32%.
Na leitura do comunicado final, Manuel Tiago Dias indicou que, de acordo com os dados do INE, o PIB angolano cresceu 5,32% no primeiro trimestre de 2026, “impulsionado pela contribuição positiva da actividade económica do sector não petrolífero”, que registou uma taxa de crescimento de 6,22%, enquanto o sector petrolífero contraiu 0,21%.
A taxa de inflação mensal fixou-se em 0,52% em Junho, abaixo dos 0,53% registados em Maio, reflectindo a desaceleração dos preços da classe “Alimentação e bebidas não alcoólicas”, “não obstante os ajustamentos dos preços do gasóleo em 5%, das tarifas de electricidade em 10% e dos serviços de transportes públicos ferroviários urbanos e suburbanos em 50%”.
Dez províncias angolanas registaram taxas de inflação homóloga de um dígito, com destaque para Huambo (7,53%), Lunda Norte (7,65%), Cunene (7,75%) e Cuanza Norte (7,88%). Luanda registou igualmente uma taxa inferior a 10%, fixando-se em 9,96%.
Em resposta aos jornalistas, o governador defendeu que uma inflação “baixa e estável”, acompanhada por aumentos da produtividade e por “melhorias nos salários”, permitirá que a população comece “a sentir os efeitos da queda da inflação”. Sublinhou ainda que, com a taxa actual, “a perda do poder de compra do cidadão já foi menor” do que em 2024 e 2025, anos em que a inflação atingiu, respectivamente, 27,5% e 15,7%.
Manuel Tiago Dias destacou ainda que, apesar do elevado nível geral de preços, muitos produtos registaram efectivamente reduções de preços, sobretudo na classe “Alimentação e bebidas não alcoólicas”, “uma vez que é através desta classe que se pode medir verdadeiramente o impacto sobre o consumidor final”.
“Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), a inflação homóloga fixou-se em 10,11% em Junho, face aos 19,73% observados no mês homólogo, confirmando a tendência de desaceleração dos preços”
Entre as vantagens da descida da inflação, o governador apontou a redução das taxas de juro praticadas pelos bancos comerciais, notando que a taxa do mercado monetário interbancário overnight “já está em torno de 12%”.
As taxas de juro “são negociáveis”, lembrou, apelando às empresas que procuram financiamento para aproveitarem o “espaço de concorrência” existente num mercado com 22 bancos em funcionamento.
Sobre os riscos para a trajectória dos preços, Manuel Tiago Dias admitiu ser “um pouco arriscado” falar com horizonte no final de 2026, mas garantiu que, até à próxima reunião do CPM, não se antevêem “grandes riscos capazes de comprometer a trajectória descendente dos preços” na economia angolana.
O governador acrescentou que, quando o INE publicar, em Agosto, os dados da inflação de Julho, o banco central acredita que Angola vai “já registar uma inflação de um dígito”.
Fonte: Lusa


























































