O Presidente da República, Daniel Chapo, prometeu, esta terça-feira (14), manter o combate aos raptos em Moçambique, considerando este tipo de crime uma ameaça à paz, à segurança e ao funcionamento normal da actividade empresarial.
Falando na abertura da 21.ª Conferência Anual do Sector Privado (CASP 2026), em Maputo, o chefe do Estado afirmou que o combate à criminalidade foi definido como uma das prioridades do Governo, com o objectivo de assegurar um ambiente favorável ao investimento e aos negócios.
Daniel Chapo recordou que, quando assumiu a Presidência da República, em 2025, o País enfrentava vários desafios, entre os quais as manifestações pós-eleitorais, a escassez de divisas e os efeitos de eventos climáticos extremos. “Além do diálogo nacional inclusivo, decidimos que vamos combater crimes que dificultam a paz e a segurança e, consequentemente, onde o ambiente de negócio fica afectado”, afirmou.
Segundo o Presidente, os raptos foram identificados como uma das principais ameaças à actividade empresarial, por condicionarem a segurança e a confiança dos investidores e empresários nacionais. “Elegemos os raptos, que nos últimos anos constituíram uma das grandes dificuldades para que os empresários nacionais pudessem fazer negócios à vontade, e avisámos, na última Conferência Anual do Sector Privado, nesta sala, que aquele que tentar continuar a desafiar o Estado nesta área ia receber uma resposta à medida da provocação”, declarou.
Daniel Chapo reiterou que o Executivo continuará empenhado na prevenção e no combate aos raptos, com vista a garantir um ambiente seguro para o funcionamento das empresas. “Queremos reiterar, neste momento, que esta continua a ser a nossa convicção, porque queremos Moçambique livre de raptos, livre de crimes, em paz e segurança, por forma que o nosso sector privado possa fazer negócios num ambiente de paz e segurança. Este compromisso continua”, garantiu.
Desde Outubro de 2025, quando um empresário português foi raptado na cidade de Maputo e posteriormente libertado, que não são conhecidos publicamente novos casos de rapto no País. Dados anteriormente divulgados indicam que dez pessoas foram vítimas deste crime em 2025, contra 15 em 2024, sendo a maioria empresários.
Durante a sua intervenção, o Presidente da República afirmou igualmente que a existência de um ambiente de negócios saudável é indispensável para o desenvolvimento económico, assegurando que o Governo continuará a implementar reformas destinadas a simplificar procedimentos e a reforçar a confiança dos investidores. “Digitalizar o Estado moçambicano é a nossa tarefa, simplificar procedimentos, reforçar a confiança dos investidores e criar melhores condições para o desenvolvimento da iniciativa privada é o nosso objectivo número um”, afirmou.
O chefe do Estado criticou ainda o modelo económico baseado na exportação de recursos naturais africanos sem processamento local, defendendo uma maior aposta na industrialização, na diversificação económica e no fortalecimento das pequenas e médias empresas. “Precisamos de meter ‘a mão na massa’, trabalhar não só a terra, mas todas as frentes da nossa economia, transformar, a nível nacional, através da industrialização, gerar renda para as famílias moçambicanas, gerar emprego, receitas para investimento público e competir regional e internacionalmente”, defendeu.
O Presidente acrescentou que Moçambique deve reconhecer que disputa investimentos com outros países, sendo necessário melhorar a qualidade das políticas públicas, garantir a previsibilidade das regras e reforçar a estabilidade macroeconómica. “Competimos pela confiança dos investidores em todo o mundo. Temos de ter consciência de que não somos uma ilha, daí a nossa disponibilidade, enquanto Governo, em fazer reformas para atrair investidores para Moçambique”, concluiu.
Sobre o evento
Sob o tema “Produzir, Transformar e Competir: Construindo uma Economia Forte e Resiliente”, a 21.ª CASP 2026 decorre nos dias 14 e 15 de Julho em Maputo. O encontro reúne representantes do Governo, empresários, organizações empresariais, parceiros de cooperação, instituições financeiras, académicos e especialistas, com o objectivo de aprofundar o diálogo público-privado, avaliar o cumprimento das recomendações da edição anterior e identificar reformas, investimentos e oportunidades capazes de reforçar a produção nacional, a transformação local e a competitividade da economia.
O programa inclui painéis sobre infra-estruturas, logística e energia, transformação digital, agro-negócio e segurança alimentar, turismo, industrialização e conteúdo local, capital humano, acesso aos mercados externos, financiamento das pequenas e médias empresas, resiliência empresarial e melhoria do ambiente de negócios, além de sessões bilaterais entre Moçambique e o Japão e entre Moçambique e a China, bem como espaços destinados à apresentação de oportunidades de investimento e parcerias empresariais.
Texto: Felisberto Ruco & Soares Comé


























































