O governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias, afirmou na passada quinta-feira (9), em Luanda, que uma inclusão financeira sustentável exige um ecossistema financeiro moderno, acessível, seguro e inovador.
“É neste contexto que o Banco Nacional de Angola tem vindo a modernizar o seu quadro regulamentar e a criar condições para que a inovação tecnológica possa prosperar de forma responsável, equilibrando a promoção da concorrência com a salvaguarda da estabilidade financeira e da confiança no sistema”, referiu o governador.
Manuel Tiago Dias, que discursava na abertura da 15.ª Reunião dos Líderes da Iniciativa de Políticas de Inclusão Financeira Africana (AfPI), defendeu que a inovação deve ser encarada como uma aliada da regulação e não como seu substituto.
“Por essa razão, o BNA tem reforçado o diálogo com o ecossistema das fintechs, dos prestadores de serviços de pagamento e dos diversos agentes de inovação financeira, promovendo mecanismos que favoreçam o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas, sem comprometer a segurança, a integridade e a estabilidade do sistema financeiro”, ressaltou.
Neste âmbito, a implementação de ambientes de testes regulamentares (sandboxes regulatórias), segundo Manuel Tiago Dias, representa um passo importante para incentivar a inovação responsável, permitindo testar novos modelos de negócio em ambiente controlado e reduzir os riscos para os consumidores e para o próprio sistema financeiro.
“À medida que aceleramos a inclusão financeira e a digitalização dos serviços financeiros, aumenta igualmente a nossa responsabilidade colectiva de proteger os cidadãos e preservar a confiança no sistema financeiro”, sublinhou.
“Os desafios estruturais que enfrentamos, desde a inclusão financeira, à digitalização, à cibersegurança, às alterações climáticas e ao financiamento do desenvolvimento, ultrapassam fronteiras e exigem uma resposta colectiva, coordenada e sustentada”, apontou.
“É precisamente neste contexto que a Iniciativa de Políticas de Inclusão Financeira Africana (AfPI) se afirma como uma das mais relevantes plataformas de cooperação entre bancos centrais africanos, promovendo a partilha de experiências, a harmonização de abordagens regulatórias e o desenvolvimento de soluções adaptadas às realidades económicas e sociais do nosso continente”, assegurou.
“À medida que aceleramos a inclusão financeira e a digitalização dos serviços financeiros, aumenta, igualmente, a nossa responsabilidade colectiva de proteger os cidadãos e preservar a confiança no sistema financeiro”
Manuel Tiago Dias – governador BNA
O governador do BNA considerou que a cooperação entre os bancos centrais será determinante para acelerar a integração financeira africana, facilitar os pagamentos transfronteiriços, estimular a inovação responsável e reforçar a confiança dos cidadãos nos sistemas financeiros.
Para o governador, a expansão das infra-estruturas de telecomunicações, a massificação dos serviços financeiros digitais, a disrupção tecnológica e o progressivo amadurecimento dos enquadramentos regulatórios permitiram que milhões de cidadãos, anteriormente excluídos do sistema financeiro formal, passassem a ter acesso a produtos e serviços financeiros essenciais.
“Contudo, os desafios que hoje enfrentamos são substancialmente diferentes daqueles que marcaram a última década. Já não basta medir o sucesso pelo número de contas bancárias abertas, de carteiras digitais activadas ou de agentes bancários existentes”, afirmou.
O verdadeiro desafio, precisou, consiste em assegurar que a inclusão financeira produza resultados concretos na vida dos cidadãos, contribuindo para a redução da pobreza, o aumento da produtividade, a criação de oportunidades económicas e o reforço da resiliência das famílias e das empresas.
Fonte: Forbes África Lusófona


























































