A China anunciou, nesta sexta-feira (10), que irá reforçar a cooperação com a Namíbia nos sectores da energia, agricultura, infra-estruturas e recursos minerais, durante as conversações realizadas em Pequim entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e a Presidente namibiana, Netumbo Nandi-Ndaitwah.
Nandi-Ndaitwah encontra-se numa visita oficial de sete dias ao país asiático desde domingo, procurando atrair investimento da segunda maior economia do mundo e maior credor internacional para apoiar a concretização das promessas eleitorais de criação de emprego e diversificação da economia namibiana.
“Na Namíbia, reafirmamos o compromisso inabalável com esta amizade de longa data com a China”, afirmou a chefe de Estado, sublinhando que a sua delegação integra dezenas de empresários.
“A sua decisão de escolher a China como o primeiro destino de uma visita de Estado fora de África, após assumir a Presidência, demonstra a importância que atribui a esta relação estratégica, pelo que lhe expresso o meu apreço”, declarou Xi Jinping.
Nandi-Ndaitwah tomou posse em 2025, prolongando os 34 anos de governação da Organização do Povo do Sudoeste Africano (SWAPO), partido que conduziu a Namíbia à independência da África do Sul do apartheid, em 1990. A vitória ocorreu apesar das dúvidas de analistas quanto às perspectivas eleitorais do partido, num contexto de crescente descontentamento com os elevados níveis de desemprego e desigualdade.
Cooperação em minerais e energia
A China e a Namíbia assinaram oito documentos, entre os quais acordos de cooperação no domínio dos minerais verdes e um acordo-quadro de parceria económica.
“Pequim está disposta a aprofundar a cooperação com Windhoek nas áreas das infra-estruturas, energia, mineração, agricultura, educação, juventude, ciência e tecnologia”, refere um comunicado divulgado pela agência estatal chinesa Xinhua após o encontro.
Segundo uma declaração conjunta citada pela Xinhua, “ambas as partes reconhecem o valor estratégico dos minerais críticos e acordaram reforçar a cooperação no desenvolvimento de recursos essenciais, como o urânio, o lítio e as terras raras”.
“Nandi-Ndaitwah tomou posse em 2025, prolongando os 34 anos de governação da Organização do Povo do Sudoeste Africano (SWAPO), partido que conduziu a Namíbia à independência da África do Sul do apartheid, em 1990”
O documento destaca igualmente a importância de promover o processamento local dos recursos minerais, uma prioridade recentemente defendida por vários produtores africanos de matérias-primas, bem como a transferência de tecnologia e o desenvolvimento de competências locais.
Rica em recursos naturais, a Namíbia poderá tornar-se o quarto maior produtor de petróleo de África até 2030, depois de a Shell e a TotalEnergies terem descoberto reservas estimadas em 2,6 mil milhões de barris de crude e anunciado planos para iniciar a produção.
A vizinha Angola produz actualmente cerca de 1,1 milhão de barris de petróleo por dia e tem utilizado as receitas do sector para financiar uma reestruturação da economia apoiada pela China, procurando simultaneamente reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.
Empresas chinesas dominam investimento no sector mineiro namibiano
A China é um dos principais mercados de exportação da Namíbia, absorvendo cerca de um quarto das exportações totais do país, de acordo com um relatório recente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Dos 1,3 mil milhões de dólares em produtos namibianos adquiridos pela China no ano passado, 85% corresponderam a urânio.
Segundo dados do centro de estudos norte-americano American Enterprise Institute, empresas chinesas investiram 4,2 mil milhões de dólares na Namíbia, sendo que, desse montante, apenas 100 milhões de dólares não foram aplicados no sector dos metais.
No discurso de tomada de posse, Nandi-Ndaitwah apelou a uma “revolução verde”, baseada na valorização económica da agricultura e dos recursos hídricos do país.
Por seu lado, o FMI defendeu que reformas estruturais serão fundamentais para criar mais emprego, destacando a agricultura, as pescas e os emergentes sectores do petróleo, gás natural e hidrogénio verde como motores do crescimento económico.
Fonte: Reuters



























































