O ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, defendeu uma economia com capacidade para gerar recursos suficientes para responder às necessidades da população moçambicana, que cresce actualmente a uma taxa superior à da economia.
De acordo com um comunicado oficial, Valá falava na vila de Songo, província de Tete, durante as celebrações do Dia Mundial da População, assinalado a 11 de Julho. “A população moçambicana tem vindo a aumentar significativamente a uma taxa de 2,5%, acima da taxa de crescimento da economia”, afirmou o governante. Segundo o ministro, nos últimos cinco anos, excluindo 2022 e 2023, a taxa de crescimento da economia esteve abaixo da taxa de crescimento populacional.
“Isto significa menor capacidade da economia em gerar recursos para satisfazer as necessidades populacionais, em crescimento, como educação, saúde, água, energia e emprego, entre outras”, explicou.
Dados apresentados por Salim Valá indicam que 65% da população moçambicana reside nas zonas rurais, enquanto 35% vive nas zonas urbanas. O governante defendeu que o desenvolvimento deve estar orientado para a melhoria efectiva das condições de vida da população, destacando o acesso à educação, saúde, água, energia, estradas, produção e mercados. “O desenvolvimento não é um fim em si mesmo. O desenvolvimento existe para melhorar a vida das pessoas”, declarou.
Para Valá, os investimentos realizados pelo Estado devem produzir resultados concretos na vida das famílias. A construção de escolas deve permitir que as crianças aprendam, enquanto as unidades sanitárias devem garantir partos seguros para as mães. As estradas devem facilitar o escoamento da produção e o acesso à água e energia deve melhorar a saúde e criar oportunidades de estudo, produção e empreendimento. “Tudo aquilo que o Governo faz só faz sentido quando melhora a vida da população”, sublinhou.
O ministro acrescentou que o verdadeiro desenvolvimento deve ser avaliado pela qualidade de vida das famílias, pelo acesso das crianças à escola, pelos cuidados de saúde prestados às mulheres, pelas oportunidades de emprego para os jovens e pela capacidade dos agricultores de produzirem e comercializarem os seus produtos. “O verdadeiro desenvolvimento mede-se pela qualidade de vida das famílias”, afirmou.

Estratégia de desenvolvimento até 2044
Para enfrentar os desafios do desenvolvimento nacional, o País adoptou a Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044, coordenada pelo Governo em colaboração com os diferentes actores do desenvolvimento.
O instrumento estabelece a visão estratégica para os próximos 20 anos e apresenta a Transformação Social e Demográfica como um dos seus pilares fundamentais. Segundo Salim Valá, a implementação da estratégia deverá permitir ao Governo e aos seus parceiros promover melhores condições de vida através de medidas nos sectores da educação, saúde, agricultura, infra-estruturas e energia.
As intervenções deverão igualmente contribuir para o aumento da produção, da produtividade, da geração de renda e do emprego. “Queremos um desenvolvimento que beneficie todas as pessoas. Um desenvolvimento que chegue às cidades e às zonas rurais, que reduza as desigualdades e que seja inclusivo e sustentável”, afirmou.
O governante acrescentou que Moçambique pretende promover “um desenvolvimento que não deixe ninguém para trás”, considerando que “um país só cresce verdadeiramente quando cresce com o seu povo”.
Governo reserva 60% do fundo aos jovens
No domínio da juventude, Valá afirmou que o Governo está a promover programas de inclusão produtiva, formação técnico-profissional e empreendedorismo jovem, destinados a melhorar a empregabilidade e criar oportunidades de rendimento sustentável.
As iniciativas têm como um dos principais grupos-alvo os mais de 24,2 milhões de moçambicanos com menos de 35 anos. “O futuro não pode ser construído sem os jovens. Eles são o recurso mais valioso de cada nação e o centro das questões de desenvolvimento sustentável”, declarou.
Salim Valá destacou também a criação do Fundo de Desenvolvimento Económico Local, destinado a promover o aumento da produção, da renda e do emprego nos distritos e autarquias. De acordo com o ministro, 60% dos recursos disponíveis no fundo serão exclusivamente destinados ao financiamento de projectos apresentados por jovens.
Redução dos casamentos prematuros
Durante o discurso, Valá apontou igualmente os casamentos prematuros como um desafio persistente no País. O Governo pretende reduzir a taxa de casamentos prematuros dos actuais 41% para 27% até 2044, através do fortalecimento de medidas centradas na rapariga.
Entre as intervenções mencionadas encontram-se a retenção escolar das raparigas, o programa de lanche escolar e o fortalecimento e expansão do projecto “Eu Sou Capaz”, que já beneficiou mais de 600 mil raparigas em todo o território nacional.
O ministro agradeceu ainda o apoio dos parceiros de cooperação, destacando o Fundo das Nações Unidas para a População pelo trabalho desenvolvido nas áreas da saúde sexual e reprodutiva, saúde materna, protecção e capacitação dos jovens, igualdade de género e fortalecimento dos sistemas de informação populacional. “A maior riqueza de Moçambique não está apenas na terra, nos rios, nos minerais ou na energia. A maior riqueza de Moçambique é o seu povo”, concluiu Salim Valá.



























































