O Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) defendeu esta sexta-feira (10) que o reforço da luta contra a corrupção em África passa pela formação de jovens conscientes, íntegros e comprometidos com valores como a honestidade, a responsabilidade e o respeito pela coisa pública, considerando que apenas leis e instituições são insuficientes para travar o fenómeno.
A posição foi manifestada pela directora do GCCC, Glória Adamo, em Xai-Xai, capital da província de Gaza, durante uma iniciativa realizada no âmbito do Dia Africano de Combate à Corrupção, assinalado anualmente a 11 de Julho, segundo informou a Lusa.
“Nenhum país combate a corrupção apenas com leis ou instituições. Combate-a, sobretudo, formando cidadãos conscientes de que a honestidade não é ingenuidade, mas um acto de coragem, de cidadania e de patriotismo”, afirmou Glória Adamo.
Segundo a responsável, o futuro do continente africano depende da capacidade de formar uma geração comprometida com valores como a honestidade, a responsabilidade e o respeito pela coisa pública. “Vós sois os principais agentes da mudança que desejamos para Moçambique e para África e, por isso, esperamos de vós essa mudança”, declarou, dirigindo-se aos jovens presentes.
A directora do GCCC alertou ainda que os actos de corrupção têm origem em “pequenas tolerâncias” e concessões éticas do quotidiano, defendendo a necessidade de cultivar uma cultura de integridade. “Da mesma forma, a integridade também se constrói diariamente, nas pequenas decisões, no cumprimento do dever, na gestão responsável da coisa pública e na coragem de dizer não ao acto ilícito”, afirmou.
Durante a intervenção, Glória Adamo apresentou dados que apontam para o registo de 583 novos processos entre Janeiro e Maio deste ano que, somados aos processos transitados de 2025, elevaram para 1478 o total de casos em tramitação no GCCC. “No mesmo período foram concluídos 399 processos, dos quais 277 resultaram em acusações remetidas aos tribunais, demonstrando o empenho do Ministério Público na responsabilização dos autores de actos de corrupção e crimes conexos”, disse. A responsável atribuiu o aumento do volume processual ao reforço da capacidade institucional de resposta das autoridades.
Em Abril, o procurador-geral da República, Américo Letela, criticou a “normalização” da corrupção, considerando que esta promove uma cultura de tolerância ao ilícito, em que o crime passa a ser encarado como um meio legítimo para alcançar interesses individuais.
Na mesma ocasião, o magistrado revelou que foram registados 236 casos de infracções financeiras cometidas por gestores públicos em 2025, tendo as autoridades determinado a reposição de mais de 5,6 milhões de euros e aplicado multas no valor de 511 mil euros.
Também em Abril, Moçambique lançou o Grupo de Intervenção e Sensibilização (GRIS), composto por nove membros, com o objectivo de incentivar a participação dos cidadãos no combate à corrupção e promover denúncias seguras em comunidades, escolas e instituições públicas.




























































