A crescente procura de energia para alimentar a Inteligência Artificial (IA) está a levar empresas tecnológicas a procurar fontes alternativas de electricidade. Nos Estados Unidos de América (EUA), o estrume de milhares de vacas está a ser transformado em biogás e convertido em energia para abastecer operações de mineração de criptomoedas, numa tecnologia que poderá futuramente alimentar centros de dados dedicados à IA.
A iniciativa está a ser desenvolvida na Lent Hill Dairy Farm, no estado de Nova Iorque, uma exploração leiteira com cerca de quatro mil vacas, equipada com dois digestores anaeróbios que convertem estrume e resíduos alimentares em gás natural renovável.
Actualmente, a electricidade gerada alimenta uma unidade de mineração de criptomoedas operada pela empresa Ag-Grid Energy, considerada a primeira do género instalada numa exploração agrícola norte-americana. No entanto, a empresa acredita que o maior potencial desta tecnologia reside nos centros de dados, cujo consumo energético continua a aumentar devido à rápida expansão da Inteligência Artificial (IA).
A proposta passa pela instalação de pequenos centros de dados junto das explorações agrícolas, aproveitando a energia produzida localmente e distribuindo capacidade computacional através de redes de fibra óptica às comunidades vizinhas. Actualmente, estas infra-estruturas já consomem cerca de 4,9% da electricidade produzida nos Estados Unidos da América (EUA), percentagem que poderá duplicar até 2030.
De acordo com o portal Sapo, o interesse pelo biogás também já atraiu outras empresas tecnológicas. A Microsoft estabeleceu uma parceria com a Enchanted Rock, empresa norte-americana especializada na operação de microrredes (microgrids) de energia eléctrica para garantir o fornecimento de energia a infra-estruturas críticas durante apagões, com o objectivo de utilizar biogás como fonte de energia de reserva num centro de dados na Califórnia. Já a Vanguard Renewables, líder nos Estados Unidos na produção de gás natural renovável (RNG) e biometano (biomethane) a partir de resíduos orgânicos, descreve o gás natural renovável como o “combustível da era da Inteligência Artificial”. Apesar das perspectivas positivas, especialistas alertam que a produção de biogás poderá não ser suficiente para acompanhar o crescimento da procura energética associada à IA.
Estimativas indicam que os EUA aproveitam actualmente apenas entre 10% e 15% do potencial disponível para a produção deste combustível renovável e que os centros de dados poderão consumir rapidamente toda a oferta que venha a ser criada. Nos últimos anos, o sector beneficiou de incentivos públicos superiores a 150 milhões de dólares destinados a projectos de biogás.
Contudo, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos da América prolongou recentemente a suspensão do financiamento para novos digestores anaeróbios, lançando incertezas quanto ao ritmo de expansão desta tecnologia. Ainda assim, os promotores defendem que a conversão de resíduos pecuários em electricidade pode reduzir as emissões, criar novas fontes de rendimento para as explorações agrícolas e contribuir para responder às crescentes necessidades energéticas da Inteligência Artificial.




























































