O Governo prevê pôr fim às importações de hortícolas até ao final de 2027, uma meta que depende da construção de um novo mercado grossista provincial em Maputo, considerado essencial para impulsionar a comercialização da produção nacional. A informação foi avançada pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, durante uma visita de trabalho à província de Gaza.
Segundo o governante, o Executivo pretende criar todas as condições necessárias para cumprir este objectivo dentro do prazo estabelecido. “Até ao final de 2027, todas as condições devem estar reunidas para que possamos decretar oficialmente o fim das importações”, afirmou.
Durante um encontro com produtores locais, Roberto Albino explicou que o Governo também irá trabalhar com a associação dos Mukheristas (importadores) para reestruturar o modelo de abastecimento, permitindo que estes passem a adquirir hortícolas produzidas no País. “Porque nós não queremos pôr dinheiro fora nesse processo”, declarou.
O ministro justificou a medida com o aumento da capacidade de produção dos agricultores moçambicanos, considerando que o País já dispõe de potencial para abastecer o mercado interno. No entanto, reiterou que a construção do mercado grossista provincial continua a ser a principal condição para antecipar o fim das importações.
“Tendo em conta o grande projecto que o nosso governador nos apresentou, de construção de um mercado grossista provincial em Maputo, este é o único elemento que me impede de declarar o fim das importações mais cedo, porque é uma condição muito importante para o funcionamento do mercado”, frisou.
Segundo Roberto Albino, a nova infra-estrutura permitirá melhorar o escoamento da produção nacional, assegurando que os produtos cheguem aos principais centros de consumo e reduzindo a necessidade de recorrer às importações.
Além da construção do mercado grossista, o ministro apontou como prioridade a recuperação dos sistemas de irrigação destruídos pelas cheias da época chuvosa de 2025-26, bem como a construção de novas infra-estruturas nas zonas de maior produção agrícola, de forma a reforçar a capacidade produtiva do sector.
Entretanto, os desafios climáticos continuam a representar uma ameaça para a agricultura nacional. Segundo um relatório da organização internacional independente ACAPS, Moçambique é um dos países com maior risco de sofrer impactos humanitários associados ao fenómeno El Niño, cuja influência deverá prolongar-se até Março de 2027.
O documento alerta que a persistência do El Niño poderá agravar a insegurança alimentar, a escassez de água, a desnutrição e as necessidades de assistência sanitária no País. No mesmo sentido, um relatório da Rede de Sistemas de Alerta Precoce contra a Fome (FEWS NET) estima que quase dois milhões de moçambicanos poderão necessitar de assistência alimentar entre Dezembro de 2026 e Janeiro de 2027, devido ao conflito armado, às cheias e às condições climáticas adversas.
Fonte: Lusa




























































